segunda-feira, 23 de setembro de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O MONSTRO DE ITAMARANDIBA
O MONSTRO DE ITAMARANDIBA
Autor: Olegário Alfredo – veja a página: www.olegarioalfredo.com.br
Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais.
O caso que vou contar
É mesmo de arrepiar
Desde nossos ancestrais.
Tem coisas por este mundo
Que existem de verdade
Não é folclore nem crendice
É pura veracidade
Pegue com Deus a rezar
E a maldade te livrar
Do mundo da crueldade.
Os monstros são criaturas
Vindos da imaginação
Povoam nossas cabeças
Conforme a superstição
Temos monstros populares
Visto por todos os lugares
Provocando assombração.
Há muitos anos atrás
No tempo da escravatura
Os casos eram contados
E não lidos na escritura
Tinha monstro horroroso
Grandalhão e pavoroso
E nada de formosura.
1
Existe um monstro medonho
De causar dor de barriga
Há muito tempo ele vive
Lá por Itamarandiba
O seu modo assustador
Causa espanto e causa horror
Quem zombar de sua vida.
Este monstro sempre é visto
No Vale Jequitinhonha
Ele é gordo feito porco
E de uma cara medonha
As crianças da região
Se dormir sem oração
Suam frio pela fronha.
Pois agora vou contar
Como surgiu este monstro
O seu modo de agir
A vocês logo demonstro
Quem for a Itamarandiba
Sem rezar reza comprida
Irá direto a seu encontro.
Conta-se que certa vez
Um ricaço fazendeiro
Desentendeu com o vigário
Por causa de bom dinheiro
O padre por natureza
Entendendo a safadeza
Deu uma de mandingueiro.
2
O fazendeiro abriu a boca
Maldizendo do vigário:
Você é gordo feito mula
Come até fora do horário.
Logo digo sem temer
Que o padreco também crer
É no dinheiro do operário.
Coitado do fazendeiro
Ao dizer o que não devia
Sua vida virou inferno
A partir daquele dia
Pois o vigário no ofício
Representa Jesus Cristo
No altar da sacristia.
Vou dizendo os sucedidos
Caso de monstruosidade
Cometidos pelo monstro
Pelas ruas da cidade
O monstro só quer vingar
Pondo logo a assustar
Todos da comunidade.
O vigário rancoroso
Disse para o fazendeiro:
Vou rogar-lhe uma praga
Bem pior que feiticeiro
- Comerás tudo pela frente
Calango, sapo e serpente
E sola de sapateiro.
3
E o vigário não parou
E mais praga foi jogando:
- Fazendeiro excomungado
O pior está lhe esperando
Se você quiser saber
De tão gordo vai morrer
Com a barriga estourando.
E no dia de seu enterro
Para puxar o caixão
Só com um carro de boi
De oito juntas pelo chão
E o corpo bem enterrado
Na Matriz do padre amado
Para não pedir perdão.
Pois lá dentro da igreja
O monstro não fugiria
O seu corpo lá enterrado
Muito guardado ficaria
De modo dessas razões
E o poder das orações
Da Matriz não sairia.
E o homenzarrão foi comendo
Foi comendo, foi comendo
E o seu corpo a cada dia
Foi crescendo foi crescendo
Comia tudo pela frente
Até fruta com semente
Pelo bucho ia descendo.
4
Contam o povo da cidade
Que primeiro devorou
Os mantimentos guardados
Que pela frente encontrou
Até jaca com o talo
Direto pro seu gargalo
O monstrengo empurrou.
O monstro também comeu
Todas frutas do quintal
As verduras lá da horta
Era o prato principal
Comeu tudo sem cheirar
E tão pouco examinar
Sem nada lhe fazer mal.
Em seguida comeu os bois
O cavalos e as galinhas
Porcos, burros e os cabritos
E até as ervas daninhas
E com tanta comilança
Já quase poucando a pança
Peidava enxofre e murrinha.
E não parou de comer
Comeu os bichos dos arredores
Veados, pacas e tatus
Comeu até bichos menores.
Os bichos chegando ao fim
Comeu cela, cabresto e capim
Comeu lama e trem piores.
5
Pesando mais de mil quilos
E rosnando feito cão
O monstro representava
O terror da região
Já pensando em comer gente
Espingolu-se de repente
Caiu morto pelo chão.
Para fazer o caixão
Tão grande e descomunal
Muitas toras de braúnas
Trouxeram para o local
E o corpo muito pesado
Para fora foi puxado
Com carro-de-boi real.
Quem for a Itamarandiba
Observe bem pelo chão
Verás as marcas da roda
Com tamanha perfeição
Que o carro-de-boi deixou
E o tempo nem apagou
O traço da maldição.
Com muita dificuldade
O enterraram na Matriz
Surgiram coisas medonhas
Na boca do diz-que-diz.
A população amistosa
E também religiosa
Foi sentindo se infeliz.
6
E coisas misteriosas
Começaram a acontecer
Rachaduras nas paredes
O fiel podia ver
Até o cabelo do bicho
O padre punha no lixo
Para ninguém perceber.
Ainda não faz muito tempo
Que a Matriz colonial
Fora toda destruída
Por um incêndio infernal
Só podia ser o Cão
Dando a sinalização
Que ele vive no local.
Ungido pelos poderes
Da Santa Cruz no altar
O frei jogava água benta
Para o monstro sossegar
Mesmo hoje na igreja ova
Esta cena se renova
Perante a qualquer olhar.
E o monstro não parou mais
De assustar a região
Havia defronte a igreja
Um pé de cedro fortão
Um dia sem novidade
Na rotina da cidade
O cedro pocou no chão.
7
Se o bicho sair da cova
Como reza a maldição
Comerás tudo pela frente
Até a sétima geração
Para livrar deste horror
Só água benta do Senhor
E com o poder da oração.
Até hoje ainda se vê
Saindo das rachaduras
Do assoalho da igreja
Formigada e tanajura
Diz o povo do lugar
Pra este monstro sossegar
Só mesmo com benzedura.
O monstro da região
Também tem companhia
A mulher de cinco metros
Ser sua prima ele dizia
Em noites de lua cheia
Pela igreja ela rodeia
Em busca de arrelia.
Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais
O caso que acaba assim
Vem do tempo do sem-fim
Lá de nossos ancestrais.
8
Postado por Olegário Alfredo às 15:38 Nenhum comentário:
quinta-feira, 29 de março de 2012
cordéis de minas
LEIA NESTE BLOG OS CORDÉIS:
CLUBE DA ESQUINA - SER MINEIRO e CELSO CUNHA
VISITE A:
Cordelteca Olegário Alfredo - Sabará -MG
A Cordelteca Olegário Alfredo (Mestre Gaio), está localizada na Cidade de Sabará-MG, nela se encontra um expressivo acervo de cordéis de vários autores do Brasil, com também matrizes de xilogravuras e livros sobre o assunto. Olegário Alfredo é Membro da ABLC - Academia Brasileira de Literatura e da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni. Com mais
De 100 títulos de cordéis publicados.
Veja a página: www.olegarioalfredo.com.br e o blog: www.cordeldeminas.blogspot.com
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Cordel para Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC
CLARA NUNES
CLARIDADE ETERNA
Olegário Alfredo
A vida que nos rodeia
É feita de brevidade
Viva a vida com alegria
Deixe de lado a vaidade
Nas voltas que o mundo dá
Procure a felicidade.
Tudo está na Natureza
Em perfeito movimento
Num pequeno grão de areia
Existe muito fundamento
Na alquimia do morrer
Faz nascer outro elemento.
Olorum que modupê
Vamos todos saravá
Calara Nunes está na roda
Junto com seu orixá
Gira, que gira girando
No Illê axé opô afonjá.
Vem, que vem linda menina
Vem levantar a poeira
Vamos todos aplaudir
Clara Nunes, a guerreira.
A rainha soberana
Das águas da cachoeira.
1
Assim começa esta história
Numa ventania de agosto
Ano de quarenta e dois (1942)
No céu, um sol bem disposto
De Clara, foi batizada
Pois ser clara, é ter bom gosto.
Num pedaço de sertão
Da paisagem mineira
Cidade antes conhecida
De Cedro da Cachoeira
Paraopeba – Caetanópolis
Designação derradeira.
O pai, Mané Serrador
Cantador e violeiro
Carregava este apelido
Por ser um bom carpinteiro
Nas folias e congadas
Ele sempre pioneiro.
A mãe, Amélia se chamava
Adorava o companheiro
Mas da vida nada se sabe
Veio o destino traiçoeiro
Levou o pai depois a mãe
Ao Superior Terreiro.
2
Órfã desde pequenina
Foi crescendo pela vida
Olhada pelos irmãos
Após triste partida
Assim Clara era feliz
Pois o amor é quem diz
Como curar a ferida.
Nos afazeres de casa
Ajudava suas irmãs
Nas folgas se enfeitava
De muitos balangandãs
E gostava de cantar
Ao alvorecer das manhãs.
Clara gostava de brincar
E não vivia sozinha
Amava suas bonecas
Grandes amigas que tinha
Em suas folgas brincava
Com a meninada vizinha.
E como brincava a pequena
Se deixasse, não tinha hora
Era soltar papagaio
Gangorrar no pé de amora
Montar a cavalo no pêlo
Sem usar sela ou espora.
3
Muito cedo despertou
Gosto pelo Kardecismo
Tinha vida recheada
De forte magnetismo
Eram manifestações
Dentro do espiritismo.
E Clara Francisca escutava
Vozes do tataravô
Do tempo do cativeiro
O grande Babalaô
- Você menina pois é:
Filha de Ogum com Xangô.
Na engrenagem da vida
Vive escondida a surpresa
Ninguém define seu caminho
Nada é certo nem certeza
E por causa de um sucedido
Clarinha se viu indefesa.
Seu namorado pois era
Gente da sociedade
Na fábrica de tecidos (em Paraopeba)
Era máxima autoridade
No, entretanto tinha fama
De mal visto na cidade.
4
A notícia chegou rápida
Em sua terra natal
Mataram seu namorado
Pra preservar sua moral
Clara decepcionada
Muda para a capital.
E lá vai a vida rodando
Empurrando o seu destino
Quem chama o fiel à igreja
São as repicagens do sino
A força que as coisas tem
São presságios do divino.
Tinha pouca experiência
No ramo da tecelagem
A Fábrica da Renascença *
Era a maior em tiragem
Segue Clara para lá
Muita fé em Yemanjá
Com a cara e a coragem.
A vida passada a limpo
Uma nova situação
Trabalhar para o sustento
Cumprir ordem do patrão
Tudo aquilo para Clara
Transmutava uma canção.
5
E assim Clara se empregou
Na fábrica de tecidos
Ainda muito recente
Com os sentimentos doídos
E os apitos da tecelagem
Ferindo os seus ouvidos
Viu-se cair na rotina
O que jamais ela queria
Pois cantar era seu dom
E de certo isto faria
Forças vindas do distante
Toda hora ela sentia.
Problemas familiares
Deixavam-na transtornada
Mesmo assim Clara encontrava
Força tamanha e encantada
Em continuar trabalhando
E viver sempre sonhando
Em ser cantora afamada.
E foi no coral da igreja
Que teve oportunidade
Em mostrar a bela voz
Naquela localidade
Cantou como um rouxinol
E com naturalidade.
6
Esta data representou
Um salto para o futuro
E uma luz no fim do túnel
Fez clarear o escuro
Clara viu naquela hora
Gosto do fruto maduro
Recebe de bate pronto
Um convite salutar
E na Rádio Inconfidência
Já poderia a cantar
As portas da felicidade
Deu sinal pra não fechar.
E lá vai a vida prosseguindo
O seu natural percurso
Clara muito obstinada
Mesmo com pouco recurso
Vence “A VOZ DE OURO ABC” *
O concorrido concurso.
Logo então a mineirinha
Ver subir sua moral
Cantando em casas noturnas
No centro da Capital
Muito rápido viu chegar
A projeção nacional.
7
Logo assim um bom amigo
Do balaio jornalístico
A propõe mudar de nome
Para que seja mais artístico
Muda para Clara Nunes
Nome forte e muito místico.
Olurum é quem governa
O Universo por inteiro
São Jorge que é Ogum
É quem manda no terreiro
Clara Nunes cai na vida
Com fé no seu padroeiro.
E lá vai a mineirinha
Rumo ao Rio de janeiro (1965)
Contratada pela Odeon
Sonhando em ver dinheiro
Boleros e sambas-canções
Músicas de seu roteiro.
Logo vem outro LP (1968)
“Você Passa Eu Acho Graça”
Grande sucesso de fato
Estourou por toda praça
Pois o samba era seu dom
Que de cabeça ela abraça.
8
E Clara Nunes pois era
Uma mulher incomum
Seu corpo comunicava
Era de quebrar o jejum
Sua voz emocionava
O seu perfume exalava
A beleza pura de Oxum.
Clara Nunes pelos palcos
Era de impressionar
Transmitia verdade
Possuía ímã no olhar
Era mesmo uma explosão
Tinha determinação
No começo do cantar.
Mulher de senso prático
E toda ela sincrética
Na Umbanda ou Candomblé
Carregava a mesma ética
No Católico ou Kadercismo
Mostrando seu sincretismo
Na mesma linha estética.
Com tamanhas qualidades
Esta sobrenatural
Clara ganha relevância
No cenário musical
Agrega ritmos populares
Frenquenta todos os lugares
Uma mulher sem igual.
9
Descobre sozinha que
Na vida não tem segredo
Caminhando para frente
É que vai perdendo o medo
Pois foi ela a primeira dama
A gravar sambas-enredo.
E temos Clara Nunes
Do Brasil, a voz mais bela
A sua grandeza a fez
Desfilar na passarela
Dando brilho colossal
No gigante carnaval
Lá na Escola da Portela.
A partir deste momento
No auge de sua carreira
Lança mais um elepê (1971)
Só com músicas de primeira
Clarinha torna-se então
Totalmente brasileira.
Em seguida veio o sucesso
Com o disco alvorecer (1974)
Mais de 500 mil cópias
Pôs-se rápido a vender
Foi a primeira brasileira
Esta conquista receber.
10
Clara Nunes fez de tudo
Com amor e serenidade
Subiu no palco com brilho
Sem pecado ou vaidade
Inaugurou um teatro
De sua propriedade.
Viajou pelo mundo afora
Influenciou gerações
Transitava sem preconceito
Em todas religiões
Sabemos que neste mundo
Não há segundo sem primeiro
Clara Nunes na caçada
Com seu tiro bem certeiro
Realiza o casamento
Com Paulo César Pinheiro.
Um grande compositor
Um bruxo visionário
Um poeta de primeira
Um valente missionário
E junto com Clara vão
Rompendo o fuso-horário.
Naturalmente gravaram
Diversas composições
Os sambas foram parar
Em outras tantas nações
Sempre da mesma maneira:
Explodindo corações.
Clara Nunes foi portanto
Carismática e muito bela
O seu cantar parecia
Ser uma oração singela
Da terra subia ao Céu
Em formato de aquarela.
11
Clara Nunes fez de tudo
Com amor e serenidade
Subiu no palco com brilho
Sem pecado ou vaidade
Inaugurou um teatro
De sua propriedade.
Viajou pelo mundo afora
E por todas regiões
Transitou sem preconceito
Por todas religiões
Fez sorrir e fez chorar
Os mais puros corações.
A vida como sabemos
Nada mais é que surpresa
Clara Nunes num só segundo
Estava muda e indefesa
- Se a ceia estava servida
A uma pessoa tão querida
Por que tiraram a mesa?
Morrer acontece, sabemos
Toda morte deixa dor
Tão cedo Clara subiu
Para o Andar Superior
E por lá vive cantando
Junto de Nosso Senhor.
12
Cordel para Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC
CLARA NUNES
CLARIDADE ETERNA
Olegário Alfredo
A vida que nos rodeia
É feita de brevidade
Viva a vida com alegria
Deixe de lado a vaidade
Nas voltas que o mundo dá
Procure a felicidade.
Tudo está na Natureza
Em perfeito movimento
Num pequeno grão de areia
Existe muito fundamento
Na alquimia do morrer
Faz nascer outro elemento.
Olorum que modupê
Vamos todos saravá
Calara Nunes está na roda
Junto com seu orixá
Gira, que gira girando
No Illê axé opô afonjá.
Vem, que vem linda menina
Vem levantar a poeira
Vamos todos aplaudir
Clara Nunes, a guerreira.
A rainha soberana
Das águas da cachoeira.
1
Assim começa esta história
Numa ventania de agosto
Ano de quarenta e dois (1942)
No céu, um sol bem disposto
De Clara, foi batizada
Pois ser clara, é ter bom gosto.
Num pedaço de sertão
Da paisagem mineira
Cidade antes conhecida
De Cedro da Cachoeira
Paraopeba – Caetanópolis
Designação derradeira.
O pai, Mané Serrador
Cantador e violeiro
Carregava este apelido
Por ser um bom carpinteiro
Nas folias e congadas
Ele sempre pioneiro.
A mãe, Amélia se chamava
Adorava o companheiro
Mas da vida nada se sabe
Veio o destino traiçoeiro
Levou o pai depois a mãe
Ao Superior Terreiro.
2
Órfã desde pequenina
Foi crescendo pela vida
Olhada pelos irmãos
Após triste partida
Assim Clara era feliz
Pois o amor é quem diz
Como curar a ferida.
Nos afazeres de casa
Ajudava suas irmãs
Nas folgas se enfeitava
De muitos balangandãs
E gostava de cantar
Ao alvorecer das manhãs.
Clara gostava de brincar
E não vivia sozinha
Amava suas bonecas
Grandes amigas que tinha
Em suas folgas brincava
Com a meninada vizinha.
E como brincava a pequena
Se deixasse, não tinha hora
Era soltar papagaio
Gangorrar no pé de amora
Montar a cavalo no pêlo
Sem usar sela ou espora.
3
Muito cedo despertou
Gosto pelo Kardecismo
Tinha vida recheada
De forte magnetismo
Eram manifestações
Dentro do espiritismo.
E Clara Francisca escutava
Vozes do tataravô
Do tempo do cativeiro
O grande Babalaô
- Você menina pois é:
Filha de Ogum com Xangô.
Na engrenagem da vida
Vive escondida a surpresa
Ninguém define seu caminho
Nada é certo nem certeza
E por causa de um sucedido
Clarinha se viu indefesa.
Seu namorado pois era
Gente da sociedade
Na fábrica de tecidos (em Paraopeba)
Era máxima autoridade
No, entretanto tinha fama
De mal visto na cidade.
4
A notícia chegou rápida
Em sua terra natal
Mataram seu namorado
Pra preservar sua moral
Clara decepcionada
Muda para a capital.
E lá vai a vida rodando
Empurrando o seu destino
Quem chama o fiel à igreja
São as repicagens do sino
A força que as coisas tem
São presságios do divino.
Tinha pouca experiência
No ramo da tecelagem
A Fábrica da Renascença *
Era a maior em tiragem
Segue Clara para lá
Muita fé em Yemanjá
Com a cara e a coragem.
A vida passada a limpo
Uma nova situação
Trabalhar para o sustento
Cumprir ordem do patrão
Tudo aquilo para Clara
Transmutava uma canção.
5
E assim Clara se empregou
Na fábrica de tecidos
Ainda muito recente
Com os sentimentos doídos
E os apitos da tecelagem
Ferindo os seus ouvidos
Viu-se cair na rotina
O que jamais ela queria
Pois cantar era seu dom
E de certo isto faria
Forças vindas do distante
Toda hora ela sentia.
Problemas familiares
Deixavam-na transtornada
Mesmo assim Clara encontrava
Força tamanha e encantada
Em continuar trabalhando
E viver sempre sonhando
Em ser cantora afamada.
E foi no coral da igreja
Que teve oportunidade
Em mostrar a bela voz
Naquela localidade
Cantou como um rouxinol
E com naturalidade.
6
Esta data representou
Um salto para o futuro
E uma luz no fim do túnel
Fez clarear o escuro
Clara viu naquela hora
Gosto do fruto maduro
Recebe de bate pronto
Um convite salutar
E na Rádio Inconfidência
Já poderia a cantar
As portas da felicidade
Deu sinal pra não fechar.
E lá vai a vida prosseguindo
O seu natural percurso
Clara muito obstinada
Mesmo com pouco recurso
Vence “A VOZ DE OURO ABC” *
O concorrido concurso.
Logo então a mineirinha
Ver subir sua moral
Cantando em casas noturnas
No centro da Capital
Muito rápido viu chegar
A projeção nacional.
7
Logo assim um bom amigo
Do balaio jornalístico
A propõe mudar de nome
Para que seja mais artístico
Muda para Clara Nunes
Nome forte e muito místico.
Olurum é quem governa
O Universo por inteiro
São Jorge que é Ogum
É quem manda no terreiro
Clara Nunes cai na vida
Com fé no seu padroeiro.
E lá vai a mineirinha
Rumo ao Rio de janeiro (1965)
Contratada pela Odeon
Sonhando em ver dinheiro
Boleros e sambas-canções
Músicas de seu roteiro.
Logo vem outro LP (1968)
“Você Passa Eu Acho Graça”
Grande sucesso de fato
Estourou por toda praça
Pois o samba era seu dom
Que de cabeça ela abraça.
8
E Clara Nunes pois era
Uma mulher incomum
Seu corpo comunicava
Era de quebrar o jejum
Sua voz emocionava
O seu perfume exalava
A beleza pura de Oxum.
Clara Nunes pelos palcos
Era de impressionar
Transmitia verdade
Possuía ímã no olhar
Era mesmo uma explosão
Tinha determinação
No começo do cantar.
Mulher de senso prático
E toda ela sincrética
Na Umbanda ou Candomblé
Carregava a mesma ética
No Católico ou Kadercismo
Mostrando seu sincretismo
Na mesma linha estética.
Com tamanhas qualidades
Esta sobrenatural
Clara ganha relevância
No cenário musical
Agrega ritmos populares
Frenquenta todos os lugares
Uma mulher sem igual.
9
Descobre sozinha que
Na vida não tem segredo
Caminhando para frente
É que vai perdendo o medo
Pois foi ela a primeira dama
A gravar sambas-enredo.
E temos Clara Nunes
Do Brasil, a voz mais bela
A sua grandeza a fez
Desfilar na passarela
Dando brilho colossal
No gigante carnaval
Lá na Escola da Portela.
A partir deste momento
No auge de sua carreira
Lança mais um elepê (1971)
Só com músicas de primeira
Clarinha torna-se então
Totalmente brasileira.
Em seguida veio o sucesso
Com o disco alvorecer (1974)
Mais de 500 mil cópias
Pôs-se rápido a vender
Foi a primeira brasileira
Esta conquista receber.
10
Clara Nunes fez de tudo
Com amor e serenidade
Subiu no palco com brilho
Sem pecado ou vaidade
Inaugurou um teatro
De sua propriedade.
Viajou pelo mundo afora
Influenciou gerações
Transitava sem preconceito
Em todas religiões
Sabemos que neste mundo
Não há segundo sem primeiro
Clara Nunes na caçada
Com seu tiro bem certeiro
Realiza o casamento
Com Paulo César Pinheiro.
Um grande compositor
Um bruxo visionário
Um poeta de primeira
Um valente missionário
E junto com Clara vão
Rompendo o fuso-horário.
Naturalmente gravaram
Diversas composições
Os sambas foram parar
Em outras tantas nações
Sempre da mesma maneira:
Explodindo corações.
Clara Nunes foi portanto
Carismática e muito bela
O seu cantar parecia
Ser uma oração singela
Da terra subia ao Céu
Em formato de aquarela.
11
Clara Nunes fez de tudo
Com amor e serenidade
Subiu no palco com brilho
Sem pecado ou vaidade
Inaugurou um teatro
De sua propriedade.
Viajou pelo mundo afora
E por todas regiões
Transitou sem preconceito
Por todas religiões
Fez sorrir e fez chorar
Os mais puros corações.
A vida como sabemos
Nada mais é que surpresa
Clara Nunes num só segundo
Estava muda e indefesa
- Se a ceia estava servida
A uma pessoa tão querida
Por que tiraram a mesa?
Morrer acontece, sabemos
Toda morte deixa dor
Tão cedo Clara subiu
Para o Andar Superior
E por lá vive cantando
Junto de Nosso Senhor.
12
Corde em louvor a Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC
CLARA NUNES
CLARIDADE ETERNA
Olegário Alfredo
A vida que nos rodeia
É feita de brevidade
Viva a vida com alegria
Deixe de lado a vaidade
Nas voltas que o mundo dá
Procure a felicidade.
Tudo está na Natureza
Em perfeito movimento
Num pequeno grão de areia
Existe muito fundamento
Na alquimia do morrer
Faz nascer outro elemento.
Olorum que modupê
Vamos todos saravá
Calara Nunes está na roda
Junto com seu orixá
Gira, que gira girando
No Illê axé opô afonjá.
Vem, que vem linda menina
Vem levantar a poeira
Vamos todos aplaudir
Clara Nunes, a guerreira.
A rainha soberana
Das águas da cachoeira.
1
Assim começa esta história
Numa ventania de agosto
Ano de quarenta e dois (1942)
No céu, um sol bem disposto
De Clara, foi batizada
Pois ser clara, é ter bom gosto.
Num pedaço de sertão
Da paisagem mineira
Cidade antes conhecida
De Cedro da Cachoeira
Paraopeba – Caetanópolis
Designação derradeira.
O pai, Mané Serrador
Cantador e violeiro
Carregava este apelido
Por ser um bom carpinteiro
Nas folias e congadas
Ele sempre pioneiro.
A mãe, Amélia se chamava
Adorava o companheiro
Mas da vida nada se sabe
Veio o destino traiçoeiro
Levou o pai depois a mãe
Ao Superior Terreiro.
2
Órfã desde pequenina
Foi crescendo pela vida
Olhada pelos irmãos
Após triste partida
Assim Clara era feliz
Pois o amor é quem diz
Como curar a ferida.
Nos afazeres de casa
Ajudava suas irmãs
Nas folgas se enfeitava
De muitos balangandãs
E gostava de cantar
Ao alvorecer das manhãs.
Clara gostava de brincar
E não vivia sozinha
Amava suas bonecas
Grandes amigas que tinha
Em suas folgas brincava
Com a meninada vizinha.
E como brincava a pequena
Se deixasse, não tinha hora
Era soltar papagaio
Gangorrar no pé de amora
Montar a cavalo no pêlo
Sem usar sela ou espora.
3
Muito cedo despertou
Gosto pelo Kardecismo
Tinha vida recheada
De forte magnetismo
Eram manifestações
Dentro do espiritismo.
E Clara Francisca escutava
Vozes do tataravô
Do tempo do cativeiro
O grande Babalaô
- Você menina pois é:
Filha de Ogum com Xangô.
Na engrenagem da vida
Vive escondida a surpresa
Ninguém define seu caminho
Nada é certo nem certeza
E por causa de um sucedido
Clarinha se viu indefesa.
Seu namorado pois era
Gente da sociedade
Na fábrica de tecidos (em Paraopeba)
Era máxima autoridade
No, entretanto tinha fama
De mal visto na cidade.
4
A notícia chegou rápida
Em sua terra natal
Mataram seu namorado
Pra preservar sua moral
Clara decepcionada
Muda para a capital.
E lá vai a vida rodando
Empurrando o seu destino
Quem chama o fiel à igreja
São as repicagens do sino
A força que as coisas tem
São presságios do divino.
Tinha pouca experiência
No ramo da tecelagem
A Fábrica da Renascença *
Era a maior em tiragem
Segue Clara para lá
Muita fé em Yemanjá
Com a cara e a coragem.
A vida passada a limpo
Uma nova situação
Trabalhar para o sustento
Cumprir ordem do patrão
Tudo aquilo para Clara
Transmutava uma canção.
5
E assim Clara se empregou
Na fábrica de tecidos
Ainda muito recente
Com os sentimentos doídos
E os apitos da tecelagem
Ferindo os seus ouvidos
Viu-se cair na rotina
O que jamais ela queria
Pois cantar era seu dom
E de certo isto faria
Forças vindas do distante
Toda hora ela sentia.
Problemas familiares
Deixavam-na transtornada
Mesmo assim Clara encontrava
Força tamanha e encantada
Em continuar trabalhando
E viver sempre sonhando
Em ser cantora afamada.
E foi no coral da igreja
Que teve oportunidade
Em mostrar a bela voz
Naquela localidade
Cantou como um rouxinol
E com naturalidade.
6
Esta data representou
Um salto para o futuro
E uma luz no fim do túnel
Fez clarear o escuro
Clara viu naquela hora
Gosto do fruto maduro
Recebe de bate pronto
Um convite salutar
E na Rádio Inconfidência
Já poderia a cantar
As portas da felicidade
Deu sinal pra não fechar.
E lá vai a vida prosseguindo
O seu natural percurso
Clara muito obstinada
Mesmo com pouco recurso
Vence “A VOZ DE OURO ABC” *
O concorrido concurso.
Logo então a mineirinha
Ver subir sua moral
Cantando em casas noturnas
No centro da Capital
Muito rápido viu chegar
A projeção nacional.
7
Logo assim um bom amigo
Do balaio jornalístico
A propõe mudar de nome
Para que seja mais artístico
Muda para Clara Nunes
Nome forte e muito místico.
Olurum é quem governa
O Universo por inteiro
São Jorge que é Ogum
É quem manda no terreiro
Clara Nunes cai na vida
Com fé no seu padroeiro.
E lá vai a mineirinha
Rumo ao Rio de janeiro (1965)
Contratada pela Odeon
Sonhando em ver dinheiro
Boleros e sambas-canções
Músicas de seu roteiro.
Logo vem outro LP (1968)
“Você Passa Eu Acho Graça”
Grande sucesso de fato
Estourou por toda praça
Pois o samba era seu dom
Que de cabeça ela abraça.
8
E Clara Nunes pois era
Uma mulher incomum
Seu corpo comunicava
Era de quebrar o jejum
Sua voz emocionava
O seu perfume exalava
A beleza pura de Oxum.
Clara Nunes pelos palcos
Era de impressionar
Transmitia verdade
Possuía ímã no olhar
Era mesmo uma explosão
Tinha determinação
No começo do cantar.
Mulher de senso prático
E toda ela sincrética
Na Umbanda ou Candomblé
Carregava a mesma ética
No Católico ou Kadercismo
Mostrando seu sincretismo
Na mesma linha estética.
Com tamanhas qualidades
Esta sobrenatural
Clara ganha relevância
No cenário musical
Agrega ritmos populares
Frenquenta todos os lugares
Uma mulher sem igual.
9
Descobre sozinha que
Na vida não tem segredo
Caminhando para frente
É que vai perdendo o medo
Pois foi ela a primeira dama
A gravar sambas-enredo.
E temos Clara Nunes
Do Brasil, a voz mais bela
A sua grandeza a fez
Desfilar na passarela
Dando brilho colossal
No gigante carnaval
Lá na Escola da Portela.
A partir deste momento
No auge de sua carreira
Lança mais um elepê (1971)
Só com músicas de primeira
Clarinha torna-se então
Totalmente brasileira.
Em seguida veio o sucesso
Com o disco alvorecer (1974)
Mais de 500 mil cópias
Pôs-se rápido a vender
Foi a primeira brasileira
Esta conquista receber.
10
Clara Nunes fez de tudo
Com amor e serenidade
Subiu no palco com brilho
Sem pecado ou vaidade
Inaugurou um teatro
De sua propriedade.
Viajou pelo mundo afora
Influenciou gerações
Transitava sem preconceito
Em todas religiões
Sabemos que neste mundo
Não há segundo sem primeiro
Clara Nunes na caçada
Com seu tiro bem certeiro
Realiza o casamento
Com Paulo César Pinheiro.
Um grande compositor
Um bruxo visionário
Um poeta de primeira
Um valente missionário
E junto com Clara vão
Rompendo o fuso-horário.
Naturalmente gravaram
Diversas composições
Os sambas foram parar
Em outras tantas nações
Sempre da mesma maneira:
Explodindo corações.
Clara Nunes foi portanto
Carismática e muito bela
O seu cantar parecia
Ser uma oração singela
Da terra subia ao Céu
Em formato de aquarela.
11
Clara Nunes fez de tudo
Com amor e serenidade
Subiu no palco com brilho
Sem pecado ou vaidade
Inaugurou um teatro
De sua propriedade.
Viajou pelo mundo afora
E por todas regiões
Transitou sem preconceito
Por todas religiões
Fez sorrir e fez chorar
Os mais puros corações.
A vida como sabemos
Nada mais é que surpresa
Clara Nunes num só segundo
Estava muda e indefesa
- Se a ceia estava servida
A uma pessoa tão querida
Por que tiraram a mesa?
Morrer acontece, sabemos
Toda morte deixa dor
Tão cedo Clara subiu
Para o Andar Superior
E por lá vive cantando
Junto de Nosso Senhor.
12
segunda-feira, 23 de julho de 2012
CORDEL PARA JORGE AMADO
Peço ao Senhor do Bonfim
A seus pés ajoelhado
Que deixai constantemente
Meu caminho iluminado
Para que possa escrever
Vida e obra de Jorge Amado.
A Bahia é um celeiro
De portento cabedal
É berço da capoeira
Candomblé e carnaval
E para o Brasil inteiro
Foi a primeira capital.
Terra de grandes artistas
Da música e literatura
Artes plásticas e cerâmicas
Cordel e xilogravura
Desde o tempo do barroco
Sempre na mesma postura.
CORDEL PARA JORGE AMADO
Autor Olegário Alfredo
Peço ao Senhor do Bonfim
A seus pés ajoelhado
Que deixai constantemente
Meu caminho iluminado
Para que possa escrever
Vida e obra de Jorge Amado.
A Bahia é um celeiro
De portento cabedal
É berço da capoeira
Candomblé e carnaval
E para o Brasil inteiro
Foi a primeira capital.
Terra de grandes artistas
Da música e literatura
Artes plásticas e cerâmicas
Cordel e xilogravura
Desde o tempo do barroco
Sempre na mesma postura.
Louvemos Jorge Amado
Grande escritor por inteiro
Soube bem representar
O dia-a-dia corriqueiro
Sendo um bom regionalista
Do baiano brasileiro.
1
Quem visita Salvador
Fica todo deslumbrado
A riqueza arquitetônica
Não há nada comparado
Numa delas é que fica
A "Casa de Jorge Amado".
E toda obra deste artista
Nesta casa está guardada
É uma casa magnífica
Precisa ser visitada
A magia de Jorge Amado
Pra Nação foi proclamada.
Jorge Amado de Farias
Dia 10 de agosto nasceu
Na cidade de Itabuna
E em Ilhéus ele crescer
Ainda muito pequeno
Escrever ele aprendeu.
Foi filho de João Amado
E dona Eulália Leal
O menino baianês
Angoleiro Regional
Seu carisma se espalhou
Muito além da capital.
2
Teve infância de moleque
Em Ilhéus terra baiana
Vivendo à beira do cais
Vendo a vida cotidiana
De quem vive pela terra
Pelo mar ou pela serra
Feito tradição cigana.
Jorge Amado um ser humano
Realista e sonhador
Vivia transitando
Em Ilhéus e Salvador
Duas cidades recheadas
De magia, mistério e amor.
Tendo somente quinze anos
No jornalismo inicia
Publicando suas matérias
No “Diário da Bahia”
Demonstrando qualidades
Nos artigos que escrevia.
Dando sinais de mudança
Da nossa literatura
Cria junto aos escritores
Demonstrando ruptura
A famosa “Academia
Dos Rebeldes” da Bahia.
Marco forte da cultura.
3
Em revistas de vanguarda
Foi um bom colaborador
“Momento e Meridiano”
Incomodava o leitor
Assim era Jorge Amado
Um polêmico inovador.
Formado em advocacia
Mas não quis seguir carreira
Via na literatura
Aliada companheira
Desta forma agradou
Toda nação brasileira.
A sua primeira mulher
Foi Matilde Garcia Rosa
Gerou uma garota linda
Lila, doce e formosa
Muito cedo faleceu
De maneira melindrosa.
Jorge Amado logo então
Veio a casar novamente
Zélia Gattai mulher linda
É que foi a pretendente
O João Jorge e Paloma
Seus filhos naturalmente.
4
No ano de trinta e um
Uma data sem igual
Escreve o primeiro livro
"O País do Carnaval"
Jorge Amado ver na frente
O campo internacional.
Jorge Amado passa a ter
Tempestade cerebral
Pois no ano trinta e três
Lança o romance "Cacau"
Trinta e quatro vem "Suor"
De forma bem natural.
O baianinho porreta
Docemente vagabundo
Descobriu no ser humano
O seu sentido profundo
Desta forma os seus livros
Se esparramam pelo mundo.
No ano de trinta e cinco
Com a bênção do orixá
Trazida dos ancestrais
Escreve o “Jubiabá”
Romance de cunho forte
Modernista vatapá.
5
Pelos anos 36
Com todo tomado corpo
Pela pura literatura
Observada no cais do porto
Nos apresenta a obra prima
Que foi o livro “Mar Morto”.
Peneirando o social
Em sua mágica bateia
Pelo dia ensolarado
Ou nas noites de lua cheia
Escreve o livro mais lindo
Que é o "Capitães de Areia"
Com vasta bibliografia
É mesmo de se admirar
Vou citando as consagradas
Pelo Brasil e além-mar
Jorge Amado, amado rei
Tão profundo e popular.
Temos "Farda e Fardão
Camisola de Dormir"
Livro de humor ferino
Para chora e sorrir
Da banalidade da elite
Que tem medo de cair.
6
E vem "Gabriela Cravo e
Canela" na passarela
O mundo inteiro assistiu
Livro que virou novela
Coronéis, jagunços e gringos
Todo mundo amante dela.
“Dona Flor, seus dois Maridos”
Escreve com maestria
Relatando com sabor
Vida besta da Bahia
Logo “Os Pastores da Noite”
Livro cheio de magia.
São livros atrás de livros
“Seara Vermelha” a dor
Da vida do retirante
Que foge do dissabor
Lá da “Terra do sem-fim”
Em busca do Salvador.
Viva “Tieta do Agreste”
Best seller à brasileira
Que em filme transformou
E em novela de primeira
Jorge Amado, bem amado
Figura tão prazenteira.
7
Olha a “Teresa Batista
Cansada de guerra” está
“A Morte e a Morte de Quincas
Berro D’Água, agora já
Um baianinho malandrinho
Do Ilê Axé do Opô Afonjá.
Lá na “Tenda dos Milagres”
Tem “Os velhos Marinheiros”
Com “O Compadre de Ogum”
Unidos aos cavalheiros
Quanto livro minha gente
Para todos os brasileiros.
Lá na “Tenda dos Milagres”
Tem “Os Velhos Marinheiros”
Com o “Compadre de Ogum
Unidos aos cavalheiros
Quanto livro minha gente
Para todos os brasileiros.
E dando prosseguimento
Com a proteção dos céus
Iutro livro vem chegando
Da terra dos mundaréus
O livro mais emblemático
O “São Jorge dos Ihéus”.
8
E no mundo da poesia
Jorge Amado soube entrar
Poemas de qualidades
Ele soube versejar
Um livreto muito raro
Que é “A Estrada do Mar”.
E também para os pequenos
Enveredou Jorge Amado
Foi um Infanto-juvenil
Com nome “O Gato Malhado
E a Andorinha Sinhá”
Livro feito e publicado.
O “ABC de Castro Alves”
Faz lembrar nosso cordel
Jorge Amado fez bem-feito
Esse registro no papel
O “Cavalheiro da Esperança”
Livro bom do menestrel.
E vem obras de memórias
Do garoto de Itabuna
“Navegação de Cabotagem”
Mas “O Menino Grapiúna”
Jorge Amado sempre firme
Pra vida não dá lacuna.
9
Escreveu crônicas e contos
Nosso baiano em questão
Uma peça de teatro
Aumentando a relação
De nome “O Amor do Soldado”
Peça rica de emoção.
Resolveu virar político
Antes de ser imortal
Desta feita se elegeu
Deputado Federal (1945)
Pode assim criar mais leis
No ambiente cultural.
No Governo de Getúlio
Foi pressão pra todo lado
Como era do PCB
Do Brasil foi exilado
Uruguai mais Argentina
França, Praga ou outro lugar
Sendo democratizado.
Foi membro da Academia
Brasileira de Letras, pois
Seu merecido lugar
Não quis deixar pra depois
Sabendo que a lei do mundo
Um mais um é sempre dois.
10
Muitos prêmios recebidos
Difícil relacionar
“Graça Aranha” e “Jabuti”
Aqui me ponho a citar
“Moinho Santista”, “Nestlé”
Outros mais no candomblé
Onde vivia a freqüentar.
“Sofia”, “Moinho Itália”
Prêmios vindos do estrangeiro
“Pablo Neruda”, “Camões”
Outros prêmios em dinheiro
Agora “Lênin da Paz”
Para o Jorge Brasileiro.
A sua obra foi traduzida
Dizem que pro mundo inteiro
Citar nomes dos países
É coisa pra viageiro
Jorge Amado foi pro mundo
Um escritor visioneiro.
Era bastante querido
Em centenas de cidades
Embora com muita fama
Vivia de simplicidades
Foi Doutor Honoris Causa
Em 10 universidades.
11
São traços de suas obras
De um Jorge politizado
Preocupado com o povo
Em todo seu fiel estado
Pescadores, marginais
Crianças e animais
Excluído e injustiçado.
Denunciou e combateu
As malignas corrupções
Amigo dos capoeiras
Cordelistas e artesões
Menores abandonados
Malandros e foliões.
Dizia ser materialista
Mas era cheio de fé
Freqüentava santuários
Glorificado de axé
Teve título de Oba Xangô
Na roda do candomblé.
Foi-se embora Jorge Amado
Para casa Grande do Pai
Na data de 6 agosto (2001)
Do pensamento não me sai
Hoje vive sentadinho
Perto de Zélia Gattai.
12
quinta-feira, 28 de junho de 2012
cordel para Jorge Amado
CORDEL PARA JORGE AMADO
Peço ao Senhor do Bonfim
A seus pés ajoelhado
Que deixai constantemente
Meu caminho iluminado
Para que possa escrever
Vida e obra de Jorge Amado.
A Bahia é um celeiro
De portento cabedal
É berço da capoeira
Candomblé e carnaval
E para o Brasil inteiro
Foi a primeira capital.
Terra de grandes artistas
Da música e literatura
Artes plásticas e cerâmicas
Cordel e xilogravura
Desde o tempo do barroco
Sempre na mesma postura.
Louvemos Jorge Amado
Grande escritor por inteiro
Soube bem representar
O dia-a-dia corriqueiro
Sendo um bom regionalista
Do baiano brasileiro.
1
Quem visita Salvador
Fica todo deslumbrado
A riqueza arquitetônica
Não há nada comparado
Numa delas é que fica
A "Casa de Jorge Amado".
E toda obra deste artista
Nesta casa está guardada
É uma casa magnífica
Precisa ser visitada
A magia de Jorge Amado
Pra Nação foi proclamada.
Jorge Amado de Farias
Dia 10 de agosto nasceu
Na cidade de Itabuna
E em Ilhéus ele crescer
Ainda muito pequeno
Escrever ele aprendeu.
Foi filho de João Amado
E dona Eulália Leal
O menino baianês
Angoleiro Regional
Seu carisma se espalhou
Muito além da capital.
2
Teve infância de moleque
Em Ilhéus terra baiana
Vivendo à beira do cais
Vendo a vida cotidiana
De quem vive pela terra
Pelo mar ou pela serra
Feito tradição cigana.
Jorge Amado um ser humano
Realista e sonhador
Vivia transitando
Em Ilhéus e Salvador
Duas cidades recheadas
De magia, mistério e amor.
Tendo somente quinze anos
No jornalismo inicia
Publicando suas matérias
No “Diário da Bahia”
Demonstrando qualidades
Nos artigos que escrevia.
Dando sinais de mudança
Da nossa literatura
Cria junto aos escritores
Demonstrando ruptura
A famosa “Academia
Dos Rebeldes” da Bahia.
Marco forte da cultura.
3
Em revistas de vanguarda
Foi um bom colaborador
“Momento e Meridiano”
Incomodava o leitor
Assim era Jorge Amado
Um polêmico inovador.
Formado em advocacia
Mas não quis seguir carreira
Via na literatura
Aliada companheira
Desta forma agradou
Toda nação brasileira.
A sua primeira mulher
Foi Matilde Garcia Rosa
Gerou uma garota linda
Lila, doce e formosa
Muito cedo faleceu
De maneira melindrosa.
Jorge Amado logo então
Veio a casar novamente
Zélia Gattai mulher linda
É que foi a pretendente
O João Jorge e Paloma
Seus filhos naturalmente.
4
No ano de trinta e um
Uma data sem igual
Escreve o primeiro livro
"O País do Carnaval"
Jorge Amado ver na frente
O campo internacional.
Jorge Amado passa a ter
Tempestade cerebral
Pois no ano trinta e três
Lança o romance "Cacau"
Trinta e quatro vem "Suor"
De forma bem natural.
O baianinho porreta
Docemente vagabundo
Descobriu no ser humano
O seu sentido profundo
Desta forma os seus livros
Se esparramam pelo mundo.
No ano de trinta e cinco
Com a bênção do orixá
Trazida dos ancestrais
Escreve o “Jubiabá”
Romance de cunho forte
Modernista vatapá.
5
Pelos anos 36
Com todo tomado corpo
Pela pura literatura
Observada no cais do porto
Nos apresenta a obra prima
Que foi o livro “Mar Morto”.
Peneirando o social
Em sua mágica bateia
Pelo dia ensolarado
Ou nas noites de lua cheia
Escreve o livro mais lindo
Que é o "Capitães de Areia"
Com vasta bibliografia
É mesmo de se admirar
Vou citando as consagradas
Pelo Brasil e além-mar
Jorge Amado, amado rei
Tão profundo e popular.
Temos "Farda e Fardão
Camisola de Dormir"
Livro de humor ferino
Para chora e sorrir
Da banalidade da elite
Que tem medo de cair.
6
E vem "Gabriela Cravo e
Canela" na passarela
O mundo inteiro assistiu
Livro que virou novela
Coronéis, jagunços e gringos
Todo mundo amante dela.
“Dona Flor, seus dois Maridos”
Escreve com maestria
Relatando com sabor
Vida besta da Bahia
Logo “Os Pastores da Noite”
Livro cheio de magia.
São livros atrás de livros
“Seara Vermelha” a dor
Da vida do retirante
Que foge do dissabor
Lá da “Terra do sem-fim”
Em busca do Salvador.
Viva “Tieta do Agreste”
Best seller à brasileira
Que em filme transformou
E em novela de primeira
Jorge Amado, bem amado
Figura tão prazenteira.
7
Olha a “Teresa Batista
Cansada de guerra” está
“A Morte e a Morte de Quincas
Berro D’Água, agora já
Um baianinho malandrinho
Do Ilê Axé do Opô Afonjá.
Lá na “Tenda dos Milagres”
Tem “Os velhos Marinheiros”
Com “O Compadre de Ogum”
Unidos aos cavalheiros
Quanto livro minha gente
Para todos os brasileiros.
Lá na “Tenda dos Milagres”
Tem “Os Velhos Marinheiros”
Com o “Compadre de Ogum
Unidos aos cavalheiros
Quanto livro minha gente
Para todos os brasileiros.
E dando prosseguimento
Com a proteção dos céus
Iutro livro vem chegando
Da terra dos mundaréus
O livro mais emblemático
O “São Jorge dos Ihéus”.
8
E no mundo da poesia
Jorge Amado soube entrar
Poemas de qualidades
Ele soube versejar
Um livreto muito raro
Que é “A Estrada do Mar”.
E também para os pequenos
Enveredou Jorge Amado
Foi um Infanto-juvenil
Com nome “O Gato Malhado
E a Andorinha Sinhá”
Livro feito e publicado.
O “ABC de Castro Alves”
Faz lembrar nosso cordel
Jorge Amado fez bem-feito
Esse registro no papel
O “Cavalheiro da Esperança”
Livro bom do menestrel.
E vem obras de memórias
Do garoto de Itabuna
“Navegação de Cabotagem”
Mas “O Menino Grapiúna”
Jorge Amado sempre firme
Pra vida não dá lacuna.
9
Escreveu crônicas e contos
Nosso baiano em questão
Uma peça de teatro
Aumentando a relação
De nome “O Amor do Soldado”
Peça rica de emoção.
Resolveu virar político
Antes de ser imortal
Desta feita se elegeu
Deputado Federal (1945)
Pode assim criar mais leis
No ambiente cultural.
No Governo de Getúlio
Foi pressão pra todo lado
Como era do PCB
Do Brasil foi exilado
Uruguai mais Argentina
França, Praga ou outro lugar
Sendo democratizado.
Foi membro da Academia
Brasileira de Letras, pois
Seu merecido lugar
Não quis deixar pra depois
Sabendo que a lei do mundo
Um mais um é sempre dois.
10
Muitos prêmios recebidos
Difícil relacionar
“Graça Aranha” e “Jabuti”
Aqui me ponho a citar
“Moinho Santista”, “Nestlé”
Outros mais no candomblé
Onde vivia a freqüentar.
“Sofia”, “Moinho Itália”
Prêmios vindos do estrangeiro
“Pablo Neruda”, “Camões”
Outros prêmios em dinheiro
Agora “Lênin da Paz”
Para o Jorge Brasileiro.
A sua obra foi traduzida
Dizem que pro mundo inteiro
Citar nomes dos países
É coisa pra viageiro
Jorge Amado foi pro mundo
Um escritor visioneiro.
Era bastante querido
Em centenas de cidades
Embora com muita fama
Vivia de simplicidades
Foi Doutor Honoris Causa
Em 10 universidades.
11
São traços de suas obras
De um Jorge politizado
Preocupado com o povo
Em todo seu fiel estado
Pescadores, marginais
Crianças e animais
Excluído e injustiçado.
Denunciou e combateu
As malignas corrupções
Amigo dos capoeiras
Cordelistas e artesões
Menores abandonados
Malandros e foliões.
Dizia ser materialista
Mas era cheio de fé
Freqüentava santuários
Glorificado de axé
Teve título de Oba Xangô
Na roda do candomblé.
Foi-se embora Jorge Amado
Para casa Grande do Pai
Na data de 6 agosto (2001)
Do pensamento não me sai
Hoje vive sentadinho
Perto de Zélia Gattai.
12
segunda-feira, 25 de junho de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
CORDÉIS MINEIROS
cordéis de minas
LEIA NESTE BLOG OS CORDÉIS:
CLUBE DA ESQUINA - SER MINEIRO, CELSO CUNHA e O MONSTRO DE ITAMARANDIBA
VISITE A:
Cordelteca Olegário Alfredo - Sabará -MG
A Cordelteca Olegário Alfredo (Mestre Gaio), está localizada na Cidade de Sabará-MG, nela se encontra um expressivo acervo de cordéis de vários autores do Brasil, com também matrizes de xilogravuras e livros sobre o assunto. Olegário Alfredo é Membro da ABLC - Academia Brasileira de Literatura e da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni. Com mais
De 100 títulos de cordéis publicados.
Veja a página: www.olegarioalfredo.com.br e o blog: www.cordeldeminas.blogspot.com
LEIA NESTE BLOG OS CORDÉIS:
CLUBE DA ESQUINA - SER MINEIRO, CELSO CUNHA e O MONSTRO DE ITAMARANDIBA
VISITE A:
Cordelteca Olegário Alfredo - Sabará -MG
A Cordelteca Olegário Alfredo (Mestre Gaio), está localizada na Cidade de Sabará-MG, nela se encontra um expressivo acervo de cordéis de vários autores do Brasil, com também matrizes de xilogravuras e livros sobre o assunto. Olegário Alfredo é Membro da ABLC - Academia Brasileira de Literatura e da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni. Com mais
De 100 títulos de cordéis publicados.
Veja a página: www.olegarioalfredo.com.br e o blog: www.cordeldeminas.blogspot.com
O Monstro de Itamarandiba
O MONSTRO DE ITAMARANDIBA
Autor: Olegário Alfredo – veja a página: www.olegarioalfredo.com.br
Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais.
O caso que vou contar
É mesmo de arrepiar
Desde nossos ancestrais.
Tem coisas por este mundo
Que existem de verdade
Não é folclore nem crendice
É pura veracidade
Pegue com Deus a rezar
E a maldade te livrar
Do mundo da crueldade.
Os monstros são criaturas
Vindos da imaginação
Povoam nossas cabeças
Conforme a superstição
Temos monstros populares
Visto por todos os lugares
Provocando assombração.
Há muitos anos atrás
No tempo da escravatura
Os casos eram contados
E não lidos na escritura
Tinha monstro horroroso
Grandalhão e pavoroso
E nada de formosura.
1
Existe um monstro medonho
De causar dor de barriga
Há muito tempo ele vive
Lá por Itamarandiba
O seu modo assustador
Causa espanto e causa horror
Quem zombar de sua vida.
Este monstro sempre é visto
No Vale Jequitinhonha
Ele é gordo feito porco
E de uma cara medonha
As crianças da região
Se dormir sem oração
Suam frio pela fronha.
Pois agora vou contar
Como surgiu este monstro
O seu modo de agir
A vocês logo demonstro
Quem for a Itamarandiba
Sem rezar reza comprida
Irá direto a seu encontro.
Conta-se que certa vez
Um ricaço fazendeiro
Desentendeu com o vigário
Por causa de bom dinheiro
O padre por natureza
Entendendo a safadeza
Deu uma de mandingueiro.
2
O fazendeiro abriu a boca
Maldizendo do vigário:
Você é gordo feito mula
Come até fora do horário.
Logo digo sem temer
Que o padreco também crer
É no dinheiro do operário.
Coitado do fazendeiro
Ao dizer o que não devia
Sua vida virou inferno
A partir daquele dia
Pois o vigário no ofício
Representa Jesus Cristo
No altar da sacristia.
Vou dizendo os sucedidos
Caso de monstruosidade
Cometidos pelo monstro
Pelas ruas da cidade
O monstro só quer vingar
Pondo logo a assustar
Todos da comunidade.
O vigário rancoroso
Disse para o fazendeiro:
Vou rogar-lhe uma praga
Bem pior que feiticeiro
- Comerás tudo pela frente
Calango, sapo e serpente
E sola de sapateiro.
3
E o vigário não parou
E mais praga foi jogando:
- Fazendeiro excomungado
O pior está lhe esperando
Se você quiser saber
De tão gordo vai morrer
Com a barriga estourando.
E no dia de seu enterro
Para puxar o caixão
Só com um carro de boi
De oito juntas pelo chão
E o corpo bem enterrado
Na Matriz do padre amado
Para não pedir perdão.
Pois lá dentro da igreja
O monstro não fugiria
O seu corpo lá enterrado
Muito guardado ficaria
De modo dessas razões
E o poder das orações
Da Matriz não sairia.
E o homenzarrão foi comendo
Foi comendo, foi comendo
E o seu corpo a cada dia
Foi crescendo foi crescendo
Comia tudo pela frente
Até fruta com semente
Pelo bucho ia descendo.
4
Contam o povo da cidade
Que primeiro devorou
Os mantimentos guardados
Que pela frente encontrou
Até jaca com o talo
Direto pro seu gargalo
O monstrengo empurrou.
O monstro também comeu
Todas frutas do quintal
As verduras lá da horta
Era o prato principal
Comeu tudo sem cheirar
E tão pouco examinar
Sem nada lhe fazer mal.
Em seguida comeu os bois
O cavalos e as galinhas
Porcos, burros e os cabritos
E até as ervas daninhas
E com tanta comilança
Já quase poucando a pança
Peidava enxofre e murrinha.
E não parou de comer
Comeu os bichos dos arredores
Veados, pacas e tatus
Comeu até bichos menores.
Os bichos chegando ao fim
Comeu cela, cabresto e capim
Comeu lama e trem piores.
5
Pesando mais de mil quilos
E rosnando feito cão
O monstro representava
O terror da região
Já pensando em comer gente
Espingolu-se de repente
Caiu morto pelo chão.
Para fazer o caixão
Tão grande e descomunal
Muitas toras de braúnas
Trouxeram para o local
E o corpo muito pesado
Para fora foi puxado
Com carro-de-boi real.
Quem for a Itamarandiba
Observe bem pelo chão
Verás as marcas da roda
Com tamanha perfeição
Que o carro-de-boi deixou
E o tempo nem apagou
O traço da maldição.
Com muita dificuldade
O enterraram na Matriz
Surgiram coisas medonhas
Na boca do diz-que-diz.
A população amistosa
E também religiosa
Foi sentindo se infeliz.
6
E coisas misteriosas
Começaram a acontecer
Rachaduras nas paredes
O fiel podia ver
Até o cabelo do bicho
O padre punha no lixo
Para ninguém perceber.
Ainda não faz muito tempo
Que a Matriz colonial
Fora toda destruída
Por um incêndio infernal
Só podia ser o Cão
Dando a sinalização
Que ele vive no local.
Ungido pelos poderes
Da Santa Cruz no altar
O frei jogava água benta
Para o monstro sossegar
Mesmo hoje na igreja ova
Esta cena se renova
Perante a qualquer olhar.
E o monstro não parou mais
De assustar a região
Havia defronte a igreja
Um pé de cedro fortão
Um dia sem novidade
Na rotina da cidade
O cedro pocou no chão.
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Se o bicho sair da cova
Como reza a maldição
Comerás tudo pela frente
Até a sétima geração
Para livrar deste horror
Só água benta do Senhor
E com o poder da oração.
Até hoje ainda se vê
Saindo das rachaduras
Do assoalho da igreja
Formigada e tanajura
Diz o povo do lugar
Pra este monstro sossegar
Só mesmo com benzedura.
O monstro da região
Também tem companhia
A mulher de cinco metros
Ser sua prima ele dizia
Em noites de lua cheia
Pela igreja ela rodeia
Em busca de arrelia.
Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais
O caso que acaba assim
Vem do tempo do sem-fim
Lá de nossos ancestrais.
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Autor: Olegário Alfredo – veja a página: www.olegarioalfredo.com.br
Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais.
O caso que vou contar
É mesmo de arrepiar
Desde nossos ancestrais.
Tem coisas por este mundo
Que existem de verdade
Não é folclore nem crendice
É pura veracidade
Pegue com Deus a rezar
E a maldade te livrar
Do mundo da crueldade.
Os monstros são criaturas
Vindos da imaginação
Povoam nossas cabeças
Conforme a superstição
Temos monstros populares
Visto por todos os lugares
Provocando assombração.
Há muitos anos atrás
No tempo da escravatura
Os casos eram contados
E não lidos na escritura
Tinha monstro horroroso
Grandalhão e pavoroso
E nada de formosura.
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Existe um monstro medonho
De causar dor de barriga
Há muito tempo ele vive
Lá por Itamarandiba
O seu modo assustador
Causa espanto e causa horror
Quem zombar de sua vida.
Este monstro sempre é visto
No Vale Jequitinhonha
Ele é gordo feito porco
E de uma cara medonha
As crianças da região
Se dormir sem oração
Suam frio pela fronha.
Pois agora vou contar
Como surgiu este monstro
O seu modo de agir
A vocês logo demonstro
Quem for a Itamarandiba
Sem rezar reza comprida
Irá direto a seu encontro.
Conta-se que certa vez
Um ricaço fazendeiro
Desentendeu com o vigário
Por causa de bom dinheiro
O padre por natureza
Entendendo a safadeza
Deu uma de mandingueiro.
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O fazendeiro abriu a boca
Maldizendo do vigário:
Você é gordo feito mula
Come até fora do horário.
Logo digo sem temer
Que o padreco também crer
É no dinheiro do operário.
Coitado do fazendeiro
Ao dizer o que não devia
Sua vida virou inferno
A partir daquele dia
Pois o vigário no ofício
Representa Jesus Cristo
No altar da sacristia.
Vou dizendo os sucedidos
Caso de monstruosidade
Cometidos pelo monstro
Pelas ruas da cidade
O monstro só quer vingar
Pondo logo a assustar
Todos da comunidade.
O vigário rancoroso
Disse para o fazendeiro:
Vou rogar-lhe uma praga
Bem pior que feiticeiro
- Comerás tudo pela frente
Calango, sapo e serpente
E sola de sapateiro.
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E o vigário não parou
E mais praga foi jogando:
- Fazendeiro excomungado
O pior está lhe esperando
Se você quiser saber
De tão gordo vai morrer
Com a barriga estourando.
E no dia de seu enterro
Para puxar o caixão
Só com um carro de boi
De oito juntas pelo chão
E o corpo bem enterrado
Na Matriz do padre amado
Para não pedir perdão.
Pois lá dentro da igreja
O monstro não fugiria
O seu corpo lá enterrado
Muito guardado ficaria
De modo dessas razões
E o poder das orações
Da Matriz não sairia.
E o homenzarrão foi comendo
Foi comendo, foi comendo
E o seu corpo a cada dia
Foi crescendo foi crescendo
Comia tudo pela frente
Até fruta com semente
Pelo bucho ia descendo.
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Contam o povo da cidade
Que primeiro devorou
Os mantimentos guardados
Que pela frente encontrou
Até jaca com o talo
Direto pro seu gargalo
O monstrengo empurrou.
O monstro também comeu
Todas frutas do quintal
As verduras lá da horta
Era o prato principal
Comeu tudo sem cheirar
E tão pouco examinar
Sem nada lhe fazer mal.
Em seguida comeu os bois
O cavalos e as galinhas
Porcos, burros e os cabritos
E até as ervas daninhas
E com tanta comilança
Já quase poucando a pança
Peidava enxofre e murrinha.
E não parou de comer
Comeu os bichos dos arredores
Veados, pacas e tatus
Comeu até bichos menores.
Os bichos chegando ao fim
Comeu cela, cabresto e capim
Comeu lama e trem piores.
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Pesando mais de mil quilos
E rosnando feito cão
O monstro representava
O terror da região
Já pensando em comer gente
Espingolu-se de repente
Caiu morto pelo chão.
Para fazer o caixão
Tão grande e descomunal
Muitas toras de braúnas
Trouxeram para o local
E o corpo muito pesado
Para fora foi puxado
Com carro-de-boi real.
Quem for a Itamarandiba
Observe bem pelo chão
Verás as marcas da roda
Com tamanha perfeição
Que o carro-de-boi deixou
E o tempo nem apagou
O traço da maldição.
Com muita dificuldade
O enterraram na Matriz
Surgiram coisas medonhas
Na boca do diz-que-diz.
A população amistosa
E também religiosa
Foi sentindo se infeliz.
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E coisas misteriosas
Começaram a acontecer
Rachaduras nas paredes
O fiel podia ver
Até o cabelo do bicho
O padre punha no lixo
Para ninguém perceber.
Ainda não faz muito tempo
Que a Matriz colonial
Fora toda destruída
Por um incêndio infernal
Só podia ser o Cão
Dando a sinalização
Que ele vive no local.
Ungido pelos poderes
Da Santa Cruz no altar
O frei jogava água benta
Para o monstro sossegar
Mesmo hoje na igreja ova
Esta cena se renova
Perante a qualquer olhar.
E o monstro não parou mais
De assustar a região
Havia defronte a igreja
Um pé de cedro fortão
Um dia sem novidade
Na rotina da cidade
O cedro pocou no chão.
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Se o bicho sair da cova
Como reza a maldição
Comerás tudo pela frente
Até a sétima geração
Para livrar deste horror
Só água benta do Senhor
E com o poder da oração.
Até hoje ainda se vê
Saindo das rachaduras
Do assoalho da igreja
Formigada e tanajura
Diz o povo do lugar
Pra este monstro sossegar
Só mesmo com benzedura.
O monstro da região
Também tem companhia
A mulher de cinco metros
Ser sua prima ele dizia
Em noites de lua cheia
Pela igreja ela rodeia
Em busca de arrelia.
Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais
O caso que acaba assim
Vem do tempo do sem-fim
Lá de nossos ancestrais.
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