segunda-feira, 23 de setembro de 2013

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O MONSTRO DE ITAMARANDIBA

O MONSTRO DE ITAMARANDIBA Autor: Olegário Alfredo – veja a página: www.olegarioalfredo.com.br Vou contar para meu filho Tudo que ouvi de meus pais Assim com o passar do tempo Não esqueceremos jamais. O caso que vou contar É mesmo de arrepiar Desde nossos ancestrais. Tem coisas por este mundo Que existem de verdade Não é folclore nem crendice É pura veracidade Pegue com Deus a rezar E a maldade te livrar Do mundo da crueldade. Os monstros são criaturas Vindos da imaginação Povoam nossas cabeças Conforme a superstição Temos monstros populares Visto por todos os lugares Provocando assombração. Há muitos anos atrás No tempo da escravatura Os casos eram contados E não lidos na escritura Tinha monstro horroroso Grandalhão e pavoroso E nada de formosura. 1 Existe um monstro medonho De causar dor de barriga Há muito tempo ele vive Lá por Itamarandiba O seu modo assustador Causa espanto e causa horror Quem zombar de sua vida. Este monstro sempre é visto No Vale Jequitinhonha Ele é gordo feito porco E de uma cara medonha As crianças da região Se dormir sem oração Suam frio pela fronha. Pois agora vou contar Como surgiu este monstro O seu modo de agir A vocês logo demonstro Quem for a Itamarandiba Sem rezar reza comprida Irá direto a seu encontro. Conta-se que certa vez Um ricaço fazendeiro Desentendeu com o vigário Por causa de bom dinheiro O padre por natureza Entendendo a safadeza Deu uma de mandingueiro. 2 O fazendeiro abriu a boca Maldizendo do vigário: Você é gordo feito mula Come até fora do horário. Logo digo sem temer Que o padreco também crer É no dinheiro do operário. Coitado do fazendeiro Ao dizer o que não devia Sua vida virou inferno A partir daquele dia Pois o vigário no ofício Representa Jesus Cristo No altar da sacristia. Vou dizendo os sucedidos Caso de monstruosidade Cometidos pelo monstro Pelas ruas da cidade O monstro só quer vingar Pondo logo a assustar Todos da comunidade. O vigário rancoroso Disse para o fazendeiro: Vou rogar-lhe uma praga Bem pior que feiticeiro - Comerás tudo pela frente Calango, sapo e serpente E sola de sapateiro. 3 E o vigário não parou E mais praga foi jogando: - Fazendeiro excomungado O pior está lhe esperando Se você quiser saber De tão gordo vai morrer Com a barriga estourando. E no dia de seu enterro Para puxar o caixão Só com um carro de boi De oito juntas pelo chão E o corpo bem enterrado Na Matriz do padre amado Para não pedir perdão. Pois lá dentro da igreja O monstro não fugiria O seu corpo lá enterrado Muito guardado ficaria De modo dessas razões E o poder das orações Da Matriz não sairia. E o homenzarrão foi comendo Foi comendo, foi comendo E o seu corpo a cada dia Foi crescendo foi crescendo Comia tudo pela frente Até fruta com semente Pelo bucho ia descendo. 4 Contam o povo da cidade Que primeiro devorou Os mantimentos guardados Que pela frente encontrou Até jaca com o talo Direto pro seu gargalo O monstrengo empurrou. O monstro também comeu Todas frutas do quintal As verduras lá da horta Era o prato principal Comeu tudo sem cheirar E tão pouco examinar Sem nada lhe fazer mal. Em seguida comeu os bois O cavalos e as galinhas Porcos, burros e os cabritos E até as ervas daninhas E com tanta comilança Já quase poucando a pança Peidava enxofre e murrinha. E não parou de comer Comeu os bichos dos arredores Veados, pacas e tatus Comeu até bichos menores. Os bichos chegando ao fim Comeu cela, cabresto e capim Comeu lama e trem piores. 5 Pesando mais de mil quilos E rosnando feito cão O monstro representava O terror da região Já pensando em comer gente Espingolu-se de repente Caiu morto pelo chão. Para fazer o caixão Tão grande e descomunal Muitas toras de braúnas Trouxeram para o local E o corpo muito pesado Para fora foi puxado Com carro-de-boi real. Quem for a Itamarandiba Observe bem pelo chão Verás as marcas da roda Com tamanha perfeição Que o carro-de-boi deixou E o tempo nem apagou O traço da maldição. Com muita dificuldade O enterraram na Matriz Surgiram coisas medonhas Na boca do diz-que-diz. A população amistosa E também religiosa Foi sentindo se infeliz. 6 E coisas misteriosas Começaram a acontecer Rachaduras nas paredes O fiel podia ver Até o cabelo do bicho O padre punha no lixo Para ninguém perceber. Ainda não faz muito tempo Que a Matriz colonial Fora toda destruída Por um incêndio infernal Só podia ser o Cão Dando a sinalização Que ele vive no local. Ungido pelos poderes Da Santa Cruz no altar O frei jogava água benta Para o monstro sossegar Mesmo hoje na igreja ova Esta cena se renova Perante a qualquer olhar. E o monstro não parou mais De assustar a região Havia defronte a igreja Um pé de cedro fortão Um dia sem novidade Na rotina da cidade O cedro pocou no chão. 7 Se o bicho sair da cova Como reza a maldição Comerás tudo pela frente Até a sétima geração Para livrar deste horror Só água benta do Senhor E com o poder da oração. Até hoje ainda se vê Saindo das rachaduras Do assoalho da igreja Formigada e tanajura Diz o povo do lugar Pra este monstro sossegar Só mesmo com benzedura. O monstro da região Também tem companhia A mulher de cinco metros Ser sua prima ele dizia Em noites de lua cheia Pela igreja ela rodeia Em busca de arrelia. Vou contar para meu filho Tudo que ouvi de meus pais Assim com o passar do tempo Não esqueceremos jamais O caso que acaba assim Vem do tempo do sem-fim Lá de nossos ancestrais. 8 Postado por Olegário Alfredo às 15:38 Nenhum comentário: quinta-feira, 29 de março de 2012 cordéis de minas LEIA NESTE BLOG OS CORDÉIS: CLUBE DA ESQUINA - SER MINEIRO e CELSO CUNHA VISITE A: Cordelteca Olegário Alfredo - Sabará -MG A Cordelteca Olegário Alfredo (Mestre Gaio), está localizada na Cidade de Sabará-MG, nela se encontra um expressivo acervo de cordéis de vários autores do Brasil, com também matrizes de xilogravuras e livros sobre o assunto. Olegário Alfredo é Membro da ABLC - Academia Brasileira de Literatura e da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni. Com mais De 100 títulos de cordéis publicados. Veja a página: www.olegarioalfredo.com.br e o blog: www.cordeldeminas.blogspot.com

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cordel para Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC

CLARA NUNES CLARIDADE ETERNA Olegário Alfredo A vida que nos rodeia É feita de brevidade Viva a vida com alegria Deixe de lado a vaidade Nas voltas que o mundo dá Procure a felicidade. Tudo está na Natureza Em perfeito movimento Num pequeno grão de areia Existe muito fundamento Na alquimia do morrer Faz nascer outro elemento. Olorum que modupê Vamos todos saravá Calara Nunes está na roda Junto com seu orixá Gira, que gira girando No Illê axé opô afonjá. Vem, que vem linda menina Vem levantar a poeira Vamos todos aplaudir Clara Nunes, a guerreira. A rainha soberana Das águas da cachoeira. 1 Assim começa esta história Numa ventania de agosto Ano de quarenta e dois (1942) No céu, um sol bem disposto De Clara, foi batizada Pois ser clara, é ter bom gosto. Num pedaço de sertão Da paisagem mineira Cidade antes conhecida De Cedro da Cachoeira Paraopeba – Caetanópolis Designação derradeira. O pai, Mané Serrador Cantador e violeiro Carregava este apelido Por ser um bom carpinteiro Nas folias e congadas Ele sempre pioneiro. A mãe, Amélia se chamava Adorava o companheiro Mas da vida nada se sabe Veio o destino traiçoeiro Levou o pai depois a mãe Ao Superior Terreiro. 2 Órfã desde pequenina Foi crescendo pela vida Olhada pelos irmãos Após triste partida Assim Clara era feliz Pois o amor é quem diz Como curar a ferida. Nos afazeres de casa Ajudava suas irmãs Nas folgas se enfeitava De muitos balangandãs E gostava de cantar Ao alvorecer das manhãs. Clara gostava de brincar E não vivia sozinha Amava suas bonecas Grandes amigas que tinha Em suas folgas brincava Com a meninada vizinha. E como brincava a pequena Se deixasse, não tinha hora Era soltar papagaio Gangorrar no pé de amora Montar a cavalo no pêlo Sem usar sela ou espora. 3 Muito cedo despertou Gosto pelo Kardecismo Tinha vida recheada De forte magnetismo Eram manifestações Dentro do espiritismo. E Clara Francisca escutava Vozes do tataravô Do tempo do cativeiro O grande Babalaô - Você menina pois é: Filha de Ogum com Xangô. Na engrenagem da vida Vive escondida a surpresa Ninguém define seu caminho Nada é certo nem certeza E por causa de um sucedido Clarinha se viu indefesa. Seu namorado pois era Gente da sociedade Na fábrica de tecidos (em Paraopeba) Era máxima autoridade No, entretanto tinha fama De mal visto na cidade. 4 A notícia chegou rápida Em sua terra natal Mataram seu namorado Pra preservar sua moral Clara decepcionada Muda para a capital. E lá vai a vida rodando Empurrando o seu destino Quem chama o fiel à igreja São as repicagens do sino A força que as coisas tem São presságios do divino. Tinha pouca experiência No ramo da tecelagem A Fábrica da Renascença * Era a maior em tiragem Segue Clara para lá Muita fé em Yemanjá Com a cara e a coragem. A vida passada a limpo Uma nova situação Trabalhar para o sustento Cumprir ordem do patrão Tudo aquilo para Clara Transmutava uma canção. 5 E assim Clara se empregou Na fábrica de tecidos Ainda muito recente Com os sentimentos doídos E os apitos da tecelagem Ferindo os seus ouvidos Viu-se cair na rotina O que jamais ela queria Pois cantar era seu dom E de certo isto faria Forças vindas do distante Toda hora ela sentia. Problemas familiares Deixavam-na transtornada Mesmo assim Clara encontrava Força tamanha e encantada Em continuar trabalhando E viver sempre sonhando Em ser cantora afamada. E foi no coral da igreja Que teve oportunidade Em mostrar a bela voz Naquela localidade Cantou como um rouxinol E com naturalidade. 6 Esta data representou Um salto para o futuro E uma luz no fim do túnel Fez clarear o escuro Clara viu naquela hora Gosto do fruto maduro Recebe de bate pronto Um convite salutar E na Rádio Inconfidência Já poderia a cantar As portas da felicidade Deu sinal pra não fechar. E lá vai a vida prosseguindo O seu natural percurso Clara muito obstinada Mesmo com pouco recurso Vence “A VOZ DE OURO ABC” * O concorrido concurso. Logo então a mineirinha Ver subir sua moral Cantando em casas noturnas No centro da Capital Muito rápido viu chegar A projeção nacional. 7 Logo assim um bom amigo Do balaio jornalístico A propõe mudar de nome Para que seja mais artístico Muda para Clara Nunes Nome forte e muito místico. Olurum é quem governa O Universo por inteiro São Jorge que é Ogum É quem manda no terreiro Clara Nunes cai na vida Com fé no seu padroeiro. E lá vai a mineirinha Rumo ao Rio de janeiro (1965) Contratada pela Odeon Sonhando em ver dinheiro Boleros e sambas-canções Músicas de seu roteiro. Logo vem outro LP (1968) “Você Passa Eu Acho Graça” Grande sucesso de fato Estourou por toda praça Pois o samba era seu dom Que de cabeça ela abraça. 8 E Clara Nunes pois era Uma mulher incomum Seu corpo comunicava Era de quebrar o jejum Sua voz emocionava O seu perfume exalava A beleza pura de Oxum. Clara Nunes pelos palcos Era de impressionar Transmitia verdade Possuía ímã no olhar Era mesmo uma explosão Tinha determinação No começo do cantar. Mulher de senso prático E toda ela sincrética Na Umbanda ou Candomblé Carregava a mesma ética No Católico ou Kadercismo Mostrando seu sincretismo Na mesma linha estética. Com tamanhas qualidades Esta sobrenatural Clara ganha relevância No cenário musical Agrega ritmos populares Frenquenta todos os lugares Uma mulher sem igual. 9 Descobre sozinha que Na vida não tem segredo Caminhando para frente É que vai perdendo o medo Pois foi ela a primeira dama A gravar sambas-enredo. E temos Clara Nunes Do Brasil, a voz mais bela A sua grandeza a fez Desfilar na passarela Dando brilho colossal No gigante carnaval Lá na Escola da Portela. A partir deste momento No auge de sua carreira Lança mais um elepê (1971) Só com músicas de primeira Clarinha torna-se então Totalmente brasileira. Em seguida veio o sucesso Com o disco alvorecer (1974) Mais de 500 mil cópias Pôs-se rápido a vender Foi a primeira brasileira Esta conquista receber. 10 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora Influenciou gerações Transitava sem preconceito Em todas religiões Sabemos que neste mundo Não há segundo sem primeiro Clara Nunes na caçada Com seu tiro bem certeiro Realiza o casamento Com Paulo César Pinheiro. Um grande compositor Um bruxo visionário Um poeta de primeira Um valente missionário E junto com Clara vão Rompendo o fuso-horário. Naturalmente gravaram Diversas composições Os sambas foram parar Em outras tantas nações Sempre da mesma maneira: Explodindo corações. Clara Nunes foi portanto Carismática e muito bela O seu cantar parecia Ser uma oração singela Da terra subia ao Céu Em formato de aquarela. 11 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora E por todas regiões Transitou sem preconceito Por todas religiões Fez sorrir e fez chorar Os mais puros corações. A vida como sabemos Nada mais é que surpresa Clara Nunes num só segundo Estava muda e indefesa - Se a ceia estava servida A uma pessoa tão querida Por que tiraram a mesa? Morrer acontece, sabemos Toda morte deixa dor Tão cedo Clara subiu Para o Andar Superior E por lá vive cantando Junto de Nosso Senhor. 12

Cordel para Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC

CLARA NUNES CLARIDADE ETERNA Olegário Alfredo A vida que nos rodeia É feita de brevidade Viva a vida com alegria Deixe de lado a vaidade Nas voltas que o mundo dá Procure a felicidade. Tudo está na Natureza Em perfeito movimento Num pequeno grão de areia Existe muito fundamento Na alquimia do morrer Faz nascer outro elemento. Olorum que modupê Vamos todos saravá Calara Nunes está na roda Junto com seu orixá Gira, que gira girando No Illê axé opô afonjá. Vem, que vem linda menina Vem levantar a poeira Vamos todos aplaudir Clara Nunes, a guerreira. A rainha soberana Das águas da cachoeira. 1 Assim começa esta história Numa ventania de agosto Ano de quarenta e dois (1942) No céu, um sol bem disposto De Clara, foi batizada Pois ser clara, é ter bom gosto. Num pedaço de sertão Da paisagem mineira Cidade antes conhecida De Cedro da Cachoeira Paraopeba – Caetanópolis Designação derradeira. O pai, Mané Serrador Cantador e violeiro Carregava este apelido Por ser um bom carpinteiro Nas folias e congadas Ele sempre pioneiro. A mãe, Amélia se chamava Adorava o companheiro Mas da vida nada se sabe Veio o destino traiçoeiro Levou o pai depois a mãe Ao Superior Terreiro. 2 Órfã desde pequenina Foi crescendo pela vida Olhada pelos irmãos Após triste partida Assim Clara era feliz Pois o amor é quem diz Como curar a ferida. Nos afazeres de casa Ajudava suas irmãs Nas folgas se enfeitava De muitos balangandãs E gostava de cantar Ao alvorecer das manhãs. Clara gostava de brincar E não vivia sozinha Amava suas bonecas Grandes amigas que tinha Em suas folgas brincava Com a meninada vizinha. E como brincava a pequena Se deixasse, não tinha hora Era soltar papagaio Gangorrar no pé de amora Montar a cavalo no pêlo Sem usar sela ou espora. 3 Muito cedo despertou Gosto pelo Kardecismo Tinha vida recheada De forte magnetismo Eram manifestações Dentro do espiritismo. E Clara Francisca escutava Vozes do tataravô Do tempo do cativeiro O grande Babalaô - Você menina pois é: Filha de Ogum com Xangô. Na engrenagem da vida Vive escondida a surpresa Ninguém define seu caminho Nada é certo nem certeza E por causa de um sucedido Clarinha se viu indefesa. Seu namorado pois era Gente da sociedade Na fábrica de tecidos (em Paraopeba) Era máxima autoridade No, entretanto tinha fama De mal visto na cidade. 4 A notícia chegou rápida Em sua terra natal Mataram seu namorado Pra preservar sua moral Clara decepcionada Muda para a capital. E lá vai a vida rodando Empurrando o seu destino Quem chama o fiel à igreja São as repicagens do sino A força que as coisas tem São presságios do divino. Tinha pouca experiência No ramo da tecelagem A Fábrica da Renascença * Era a maior em tiragem Segue Clara para lá Muita fé em Yemanjá Com a cara e a coragem. A vida passada a limpo Uma nova situação Trabalhar para o sustento Cumprir ordem do patrão Tudo aquilo para Clara Transmutava uma canção. 5 E assim Clara se empregou Na fábrica de tecidos Ainda muito recente Com os sentimentos doídos E os apitos da tecelagem Ferindo os seus ouvidos Viu-se cair na rotina O que jamais ela queria Pois cantar era seu dom E de certo isto faria Forças vindas do distante Toda hora ela sentia. Problemas familiares Deixavam-na transtornada Mesmo assim Clara encontrava Força tamanha e encantada Em continuar trabalhando E viver sempre sonhando Em ser cantora afamada. E foi no coral da igreja Que teve oportunidade Em mostrar a bela voz Naquela localidade Cantou como um rouxinol E com naturalidade. 6 Esta data representou Um salto para o futuro E uma luz no fim do túnel Fez clarear o escuro Clara viu naquela hora Gosto do fruto maduro Recebe de bate pronto Um convite salutar E na Rádio Inconfidência Já poderia a cantar As portas da felicidade Deu sinal pra não fechar. E lá vai a vida prosseguindo O seu natural percurso Clara muito obstinada Mesmo com pouco recurso Vence “A VOZ DE OURO ABC” * O concorrido concurso. Logo então a mineirinha Ver subir sua moral Cantando em casas noturnas No centro da Capital Muito rápido viu chegar A projeção nacional. 7 Logo assim um bom amigo Do balaio jornalístico A propõe mudar de nome Para que seja mais artístico Muda para Clara Nunes Nome forte e muito místico. Olurum é quem governa O Universo por inteiro São Jorge que é Ogum É quem manda no terreiro Clara Nunes cai na vida Com fé no seu padroeiro. E lá vai a mineirinha Rumo ao Rio de janeiro (1965) Contratada pela Odeon Sonhando em ver dinheiro Boleros e sambas-canções Músicas de seu roteiro. Logo vem outro LP (1968) “Você Passa Eu Acho Graça” Grande sucesso de fato Estourou por toda praça Pois o samba era seu dom Que de cabeça ela abraça. 8 E Clara Nunes pois era Uma mulher incomum Seu corpo comunicava Era de quebrar o jejum Sua voz emocionava O seu perfume exalava A beleza pura de Oxum. Clara Nunes pelos palcos Era de impressionar Transmitia verdade Possuía ímã no olhar Era mesmo uma explosão Tinha determinação No começo do cantar. Mulher de senso prático E toda ela sincrética Na Umbanda ou Candomblé Carregava a mesma ética No Católico ou Kadercismo Mostrando seu sincretismo Na mesma linha estética. Com tamanhas qualidades Esta sobrenatural Clara ganha relevância No cenário musical Agrega ritmos populares Frenquenta todos os lugares Uma mulher sem igual. 9 Descobre sozinha que Na vida não tem segredo Caminhando para frente É que vai perdendo o medo Pois foi ela a primeira dama A gravar sambas-enredo. E temos Clara Nunes Do Brasil, a voz mais bela A sua grandeza a fez Desfilar na passarela Dando brilho colossal No gigante carnaval Lá na Escola da Portela. A partir deste momento No auge de sua carreira Lança mais um elepê (1971) Só com músicas de primeira Clarinha torna-se então Totalmente brasileira. Em seguida veio o sucesso Com o disco alvorecer (1974) Mais de 500 mil cópias Pôs-se rápido a vender Foi a primeira brasileira Esta conquista receber. 10 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora Influenciou gerações Transitava sem preconceito Em todas religiões Sabemos que neste mundo Não há segundo sem primeiro Clara Nunes na caçada Com seu tiro bem certeiro Realiza o casamento Com Paulo César Pinheiro. Um grande compositor Um bruxo visionário Um poeta de primeira Um valente missionário E junto com Clara vão Rompendo o fuso-horário. Naturalmente gravaram Diversas composições Os sambas foram parar Em outras tantas nações Sempre da mesma maneira: Explodindo corações. Clara Nunes foi portanto Carismática e muito bela O seu cantar parecia Ser uma oração singela Da terra subia ao Céu Em formato de aquarela. 11 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora E por todas regiões Transitou sem preconceito Por todas religiões Fez sorrir e fez chorar Os mais puros corações. A vida como sabemos Nada mais é que surpresa Clara Nunes num só segundo Estava muda e indefesa - Se a ceia estava servida A uma pessoa tão querida Por que tiraram a mesa? Morrer acontece, sabemos Toda morte deixa dor Tão cedo Clara subiu Para o Andar Superior E por lá vive cantando Junto de Nosso Senhor. 12

Corde em louvor a Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC

CLARA NUNES CLARIDADE ETERNA Olegário Alfredo A vida que nos rodeia É feita de brevidade Viva a vida com alegria Deixe de lado a vaidade Nas voltas que o mundo dá Procure a felicidade. Tudo está na Natureza Em perfeito movimento Num pequeno grão de areia Existe muito fundamento Na alquimia do morrer Faz nascer outro elemento. Olorum que modupê Vamos todos saravá Calara Nunes está na roda Junto com seu orixá Gira, que gira girando No Illê axé opô afonjá. Vem, que vem linda menina Vem levantar a poeira Vamos todos aplaudir Clara Nunes, a guerreira. A rainha soberana Das águas da cachoeira. 1 Assim começa esta história Numa ventania de agosto Ano de quarenta e dois (1942) No céu, um sol bem disposto De Clara, foi batizada Pois ser clara, é ter bom gosto. Num pedaço de sertão Da paisagem mineira Cidade antes conhecida De Cedro da Cachoeira Paraopeba – Caetanópolis Designação derradeira. O pai, Mané Serrador Cantador e violeiro Carregava este apelido Por ser um bom carpinteiro Nas folias e congadas Ele sempre pioneiro. A mãe, Amélia se chamava Adorava o companheiro Mas da vida nada se sabe Veio o destino traiçoeiro Levou o pai depois a mãe Ao Superior Terreiro. 2 Órfã desde pequenina Foi crescendo pela vida Olhada pelos irmãos Após triste partida Assim Clara era feliz Pois o amor é quem diz Como curar a ferida. Nos afazeres de casa Ajudava suas irmãs Nas folgas se enfeitava De muitos balangandãs E gostava de cantar Ao alvorecer das manhãs. Clara gostava de brincar E não vivia sozinha Amava suas bonecas Grandes amigas que tinha Em suas folgas brincava Com a meninada vizinha. E como brincava a pequena Se deixasse, não tinha hora Era soltar papagaio Gangorrar no pé de amora Montar a cavalo no pêlo Sem usar sela ou espora. 3 Muito cedo despertou Gosto pelo Kardecismo Tinha vida recheada De forte magnetismo Eram manifestações Dentro do espiritismo. E Clara Francisca escutava Vozes do tataravô Do tempo do cativeiro O grande Babalaô - Você menina pois é: Filha de Ogum com Xangô. Na engrenagem da vida Vive escondida a surpresa Ninguém define seu caminho Nada é certo nem certeza E por causa de um sucedido Clarinha se viu indefesa. Seu namorado pois era Gente da sociedade Na fábrica de tecidos (em Paraopeba) Era máxima autoridade No, entretanto tinha fama De mal visto na cidade. 4 A notícia chegou rápida Em sua terra natal Mataram seu namorado Pra preservar sua moral Clara decepcionada Muda para a capital. E lá vai a vida rodando Empurrando o seu destino Quem chama o fiel à igreja São as repicagens do sino A força que as coisas tem São presságios do divino. Tinha pouca experiência No ramo da tecelagem A Fábrica da Renascença * Era a maior em tiragem Segue Clara para lá Muita fé em Yemanjá Com a cara e a coragem. A vida passada a limpo Uma nova situação Trabalhar para o sustento Cumprir ordem do patrão Tudo aquilo para Clara Transmutava uma canção. 5 E assim Clara se empregou Na fábrica de tecidos Ainda muito recente Com os sentimentos doídos E os apitos da tecelagem Ferindo os seus ouvidos Viu-se cair na rotina O que jamais ela queria Pois cantar era seu dom E de certo isto faria Forças vindas do distante Toda hora ela sentia. Problemas familiares Deixavam-na transtornada Mesmo assim Clara encontrava Força tamanha e encantada Em continuar trabalhando E viver sempre sonhando Em ser cantora afamada. E foi no coral da igreja Que teve oportunidade Em mostrar a bela voz Naquela localidade Cantou como um rouxinol E com naturalidade. 6 Esta data representou Um salto para o futuro E uma luz no fim do túnel Fez clarear o escuro Clara viu naquela hora Gosto do fruto maduro Recebe de bate pronto Um convite salutar E na Rádio Inconfidência Já poderia a cantar As portas da felicidade Deu sinal pra não fechar. E lá vai a vida prosseguindo O seu natural percurso Clara muito obstinada Mesmo com pouco recurso Vence “A VOZ DE OURO ABC” * O concorrido concurso. Logo então a mineirinha Ver subir sua moral Cantando em casas noturnas No centro da Capital Muito rápido viu chegar A projeção nacional. 7 Logo assim um bom amigo Do balaio jornalístico A propõe mudar de nome Para que seja mais artístico Muda para Clara Nunes Nome forte e muito místico. Olurum é quem governa O Universo por inteiro São Jorge que é Ogum É quem manda no terreiro Clara Nunes cai na vida Com fé no seu padroeiro. E lá vai a mineirinha Rumo ao Rio de janeiro (1965) Contratada pela Odeon Sonhando em ver dinheiro Boleros e sambas-canções Músicas de seu roteiro. Logo vem outro LP (1968) “Você Passa Eu Acho Graça” Grande sucesso de fato Estourou por toda praça Pois o samba era seu dom Que de cabeça ela abraça. 8 E Clara Nunes pois era Uma mulher incomum Seu corpo comunicava Era de quebrar o jejum Sua voz emocionava O seu perfume exalava A beleza pura de Oxum. Clara Nunes pelos palcos Era de impressionar Transmitia verdade Possuía ímã no olhar Era mesmo uma explosão Tinha determinação No começo do cantar. Mulher de senso prático E toda ela sincrética Na Umbanda ou Candomblé Carregava a mesma ética No Católico ou Kadercismo Mostrando seu sincretismo Na mesma linha estética. Com tamanhas qualidades Esta sobrenatural Clara ganha relevância No cenário musical Agrega ritmos populares Frenquenta todos os lugares Uma mulher sem igual. 9 Descobre sozinha que Na vida não tem segredo Caminhando para frente É que vai perdendo o medo Pois foi ela a primeira dama A gravar sambas-enredo. E temos Clara Nunes Do Brasil, a voz mais bela A sua grandeza a fez Desfilar na passarela Dando brilho colossal No gigante carnaval Lá na Escola da Portela. A partir deste momento No auge de sua carreira Lança mais um elepê (1971) Só com músicas de primeira Clarinha torna-se então Totalmente brasileira. Em seguida veio o sucesso Com o disco alvorecer (1974) Mais de 500 mil cópias Pôs-se rápido a vender Foi a primeira brasileira Esta conquista receber. 10 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora Influenciou gerações Transitava sem preconceito Em todas religiões Sabemos que neste mundo Não há segundo sem primeiro Clara Nunes na caçada Com seu tiro bem certeiro Realiza o casamento Com Paulo César Pinheiro. Um grande compositor Um bruxo visionário Um poeta de primeira Um valente missionário E junto com Clara vão Rompendo o fuso-horário. Naturalmente gravaram Diversas composições Os sambas foram parar Em outras tantas nações Sempre da mesma maneira: Explodindo corações. Clara Nunes foi portanto Carismática e muito bela O seu cantar parecia Ser uma oração singela Da terra subia ao Céu Em formato de aquarela. 11 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora E por todas regiões Transitou sem preconceito Por todas religiões Fez sorrir e fez chorar Os mais puros corações. A vida como sabemos Nada mais é que surpresa Clara Nunes num só segundo Estava muda e indefesa - Se a ceia estava servida A uma pessoa tão querida Por que tiraram a mesa? Morrer acontece, sabemos Toda morte deixa dor Tão cedo Clara subiu Para o Andar Superior E por lá vive cantando Junto de Nosso Senhor. 12

segunda-feira, 23 de julho de 2012

CORDEL PARA JORGE AMADO Peço ao Senhor do Bonfim A seus pés ajoelhado Que deixai constantemente Meu caminho iluminado Para que possa escrever Vida e obra de Jorge Amado. A Bahia é um celeiro De portento cabedal É berço da capoeira Candomblé e carnaval E para o Brasil inteiro Foi a primeira capital. Terra de grandes artistas Da música e literatura Artes plásticas e cerâmicas Cordel e xilogravura Desde o tempo do barroco Sempre na mesma postura. CORDEL PARA JORGE AMADO Autor Olegário Alfredo Peço ao Senhor do Bonfim A seus pés ajoelhado Que deixai constantemente Meu caminho iluminado Para que possa escrever Vida e obra de Jorge Amado. A Bahia é um celeiro De portento cabedal É berço da capoeira Candomblé e carnaval E para o Brasil inteiro Foi a primeira capital. Terra de grandes artistas Da música e literatura Artes plásticas e cerâmicas Cordel e xilogravura Desde o tempo do barroco Sempre na mesma postura. Louvemos Jorge Amado Grande escritor por inteiro Soube bem representar O dia-a-dia corriqueiro Sendo um bom regionalista Do baiano brasileiro. 1 Quem visita Salvador Fica todo deslumbrado A riqueza arquitetônica Não há nada comparado Numa delas é que fica A "Casa de Jorge Amado". E toda obra deste artista Nesta casa está guardada É uma casa magnífica Precisa ser visitada A magia de Jorge Amado Pra Nação foi proclamada. Jorge Amado de Farias Dia 10 de agosto nasceu Na cidade de Itabuna E em Ilhéus ele crescer Ainda muito pequeno Escrever ele aprendeu. Foi filho de João Amado E dona Eulália Leal O menino baianês Angoleiro Regional Seu carisma se espalhou Muito além da capital. 2 Teve infância de moleque Em Ilhéus terra baiana Vivendo à beira do cais Vendo a vida cotidiana De quem vive pela terra Pelo mar ou pela serra Feito tradição cigana. Jorge Amado um ser humano Realista e sonhador Vivia transitando Em Ilhéus e Salvador Duas cidades recheadas De magia, mistério e amor. Tendo somente quinze anos No jornalismo inicia Publicando suas matérias No “Diário da Bahia” Demonstrando qualidades Nos artigos que escrevia. Dando sinais de mudança Da nossa literatura Cria junto aos escritores Demonstrando ruptura A famosa “Academia Dos Rebeldes” da Bahia. Marco forte da cultura. 3 Em revistas de vanguarda Foi um bom colaborador “Momento e Meridiano” Incomodava o leitor Assim era Jorge Amado Um polêmico inovador. Formado em advocacia Mas não quis seguir carreira Via na literatura Aliada companheira Desta forma agradou Toda nação brasileira. A sua primeira mulher Foi Matilde Garcia Rosa Gerou uma garota linda Lila, doce e formosa Muito cedo faleceu De maneira melindrosa. Jorge Amado logo então Veio a casar novamente Zélia Gattai mulher linda É que foi a pretendente O João Jorge e Paloma Seus filhos naturalmente. 4 No ano de trinta e um Uma data sem igual Escreve o primeiro livro "O País do Carnaval" Jorge Amado ver na frente O campo internacional. Jorge Amado passa a ter Tempestade cerebral Pois no ano trinta e três Lança o romance "Cacau" Trinta e quatro vem "Suor" De forma bem natural. O baianinho porreta Docemente vagabundo Descobriu no ser humano O seu sentido profundo Desta forma os seus livros Se esparramam pelo mundo. No ano de trinta e cinco Com a bênção do orixá Trazida dos ancestrais Escreve o “Jubiabá” Romance de cunho forte Modernista vatapá. 5 Pelos anos 36 Com todo tomado corpo Pela pura literatura Observada no cais do porto Nos apresenta a obra prima Que foi o livro “Mar Morto”. Peneirando o social Em sua mágica bateia Pelo dia ensolarado Ou nas noites de lua cheia Escreve o livro mais lindo Que é o "Capitães de Areia" Com vasta bibliografia É mesmo de se admirar Vou citando as consagradas Pelo Brasil e além-mar Jorge Amado, amado rei Tão profundo e popular. Temos "Farda e Fardão Camisola de Dormir" Livro de humor ferino Para chora e sorrir Da banalidade da elite Que tem medo de cair. 6 E vem "Gabriela Cravo e Canela" na passarela O mundo inteiro assistiu Livro que virou novela Coronéis, jagunços e gringos Todo mundo amante dela. “Dona Flor, seus dois Maridos” Escreve com maestria Relatando com sabor Vida besta da Bahia Logo “Os Pastores da Noite” Livro cheio de magia. São livros atrás de livros “Seara Vermelha” a dor Da vida do retirante Que foge do dissabor Lá da “Terra do sem-fim” Em busca do Salvador. Viva “Tieta do Agreste” Best seller à brasileira Que em filme transformou E em novela de primeira Jorge Amado, bem amado Figura tão prazenteira. 7 Olha a “Teresa Batista Cansada de guerra” está “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, agora já Um baianinho malandrinho Do Ilê Axé do Opô Afonjá. Lá na “Tenda dos Milagres” Tem “Os velhos Marinheiros” Com “O Compadre de Ogum” Unidos aos cavalheiros Quanto livro minha gente Para todos os brasileiros. Lá na “Tenda dos Milagres” Tem “Os Velhos Marinheiros” Com o “Compadre de Ogum Unidos aos cavalheiros Quanto livro minha gente Para todos os brasileiros. E dando prosseguimento Com a proteção dos céus Iutro livro vem chegando Da terra dos mundaréus O livro mais emblemático O “São Jorge dos Ihéus”. 8 E no mundo da poesia Jorge Amado soube entrar Poemas de qualidades Ele soube versejar Um livreto muito raro Que é “A Estrada do Mar”. E também para os pequenos Enveredou Jorge Amado Foi um Infanto-juvenil Com nome “O Gato Malhado E a Andorinha Sinhá” Livro feito e publicado. O “ABC de Castro Alves” Faz lembrar nosso cordel Jorge Amado fez bem-feito Esse registro no papel O “Cavalheiro da Esperança” Livro bom do menestrel. E vem obras de memórias Do garoto de Itabuna “Navegação de Cabotagem” Mas “O Menino Grapiúna” Jorge Amado sempre firme Pra vida não dá lacuna. 9 Escreveu crônicas e contos Nosso baiano em questão Uma peça de teatro Aumentando a relação De nome “O Amor do Soldado” Peça rica de emoção. Resolveu virar político Antes de ser imortal Desta feita se elegeu Deputado Federal (1945) Pode assim criar mais leis No ambiente cultural. No Governo de Getúlio Foi pressão pra todo lado Como era do PCB Do Brasil foi exilado Uruguai mais Argentina França, Praga ou outro lugar Sendo democratizado. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, pois Seu merecido lugar Não quis deixar pra depois Sabendo que a lei do mundo Um mais um é sempre dois. 10 Muitos prêmios recebidos Difícil relacionar “Graça Aranha” e “Jabuti” Aqui me ponho a citar “Moinho Santista”, “Nestlé” Outros mais no candomblé Onde vivia a freqüentar. “Sofia”, “Moinho Itália” Prêmios vindos do estrangeiro “Pablo Neruda”, “Camões” Outros prêmios em dinheiro Agora “Lênin da Paz” Para o Jorge Brasileiro. A sua obra foi traduzida Dizem que pro mundo inteiro Citar nomes dos países É coisa pra viageiro Jorge Amado foi pro mundo Um escritor visioneiro. Era bastante querido Em centenas de cidades Embora com muita fama Vivia de simplicidades Foi Doutor Honoris Causa Em 10 universidades. 11 São traços de suas obras De um Jorge politizado Preocupado com o povo Em todo seu fiel estado Pescadores, marginais Crianças e animais Excluído e injustiçado. Denunciou e combateu As malignas corrupções Amigo dos capoeiras Cordelistas e artesões Menores abandonados Malandros e foliões. Dizia ser materialista Mas era cheio de fé Freqüentava santuários Glorificado de axé Teve título de Oba Xangô Na roda do candomblé. Foi-se embora Jorge Amado Para casa Grande do Pai Na data de 6 agosto (2001) Do pensamento não me sai Hoje vive sentadinho Perto de Zélia Gattai. 12

quinta-feira, 28 de junho de 2012

cordel para Jorge Amado

CORDEL PARA JORGE AMADO Peço ao Senhor do Bonfim A seus pés ajoelhado Que deixai constantemente Meu caminho iluminado Para que possa escrever Vida e obra de Jorge Amado. A Bahia é um celeiro De portento cabedal É berço da capoeira Candomblé e carnaval E para o Brasil inteiro Foi a primeira capital. Terra de grandes artistas Da música e literatura Artes plásticas e cerâmicas Cordel e xilogravura Desde o tempo do barroco Sempre na mesma postura. Louvemos Jorge Amado Grande escritor por inteiro Soube bem representar O dia-a-dia corriqueiro Sendo um bom regionalista Do baiano brasileiro. 1 Quem visita Salvador Fica todo deslumbrado A riqueza arquitetônica Não há nada comparado Numa delas é que fica A "Casa de Jorge Amado". E toda obra deste artista Nesta casa está guardada É uma casa magnífica Precisa ser visitada A magia de Jorge Amado Pra Nação foi proclamada. Jorge Amado de Farias Dia 10 de agosto nasceu Na cidade de Itabuna E em Ilhéus ele crescer Ainda muito pequeno Escrever ele aprendeu. Foi filho de João Amado E dona Eulália Leal O menino baianês Angoleiro Regional Seu carisma se espalhou Muito além da capital. 2 Teve infância de moleque Em Ilhéus terra baiana Vivendo à beira do cais Vendo a vida cotidiana De quem vive pela terra Pelo mar ou pela serra Feito tradição cigana. Jorge Amado um ser humano Realista e sonhador Vivia transitando Em Ilhéus e Salvador Duas cidades recheadas De magia, mistério e amor. Tendo somente quinze anos No jornalismo inicia Publicando suas matérias No “Diário da Bahia” Demonstrando qualidades Nos artigos que escrevia. Dando sinais de mudança Da nossa literatura Cria junto aos escritores Demonstrando ruptura A famosa “Academia Dos Rebeldes” da Bahia. Marco forte da cultura. 3 Em revistas de vanguarda Foi um bom colaborador “Momento e Meridiano” Incomodava o leitor Assim era Jorge Amado Um polêmico inovador. Formado em advocacia Mas não quis seguir carreira Via na literatura Aliada companheira Desta forma agradou Toda nação brasileira. A sua primeira mulher Foi Matilde Garcia Rosa Gerou uma garota linda Lila, doce e formosa Muito cedo faleceu De maneira melindrosa. Jorge Amado logo então Veio a casar novamente Zélia Gattai mulher linda É que foi a pretendente O João Jorge e Paloma Seus filhos naturalmente. 4 No ano de trinta e um Uma data sem igual Escreve o primeiro livro "O País do Carnaval" Jorge Amado ver na frente O campo internacional. Jorge Amado passa a ter Tempestade cerebral Pois no ano trinta e três Lança o romance "Cacau" Trinta e quatro vem "Suor" De forma bem natural. O baianinho porreta Docemente vagabundo Descobriu no ser humano O seu sentido profundo Desta forma os seus livros Se esparramam pelo mundo. No ano de trinta e cinco Com a bênção do orixá Trazida dos ancestrais Escreve o “Jubiabá” Romance de cunho forte Modernista vatapá. 5 Pelos anos 36 Com todo tomado corpo Pela pura literatura Observada no cais do porto Nos apresenta a obra prima Que foi o livro “Mar Morto”. Peneirando o social Em sua mágica bateia Pelo dia ensolarado Ou nas noites de lua cheia Escreve o livro mais lindo Que é o "Capitães de Areia" Com vasta bibliografia É mesmo de se admirar Vou citando as consagradas Pelo Brasil e além-mar Jorge Amado, amado rei Tão profundo e popular. Temos "Farda e Fardão Camisola de Dormir" Livro de humor ferino Para chora e sorrir Da banalidade da elite Que tem medo de cair. 6 E vem "Gabriela Cravo e Canela" na passarela O mundo inteiro assistiu Livro que virou novela Coronéis, jagunços e gringos Todo mundo amante dela. “Dona Flor, seus dois Maridos” Escreve com maestria Relatando com sabor Vida besta da Bahia Logo “Os Pastores da Noite” Livro cheio de magia. São livros atrás de livros “Seara Vermelha” a dor Da vida do retirante Que foge do dissabor Lá da “Terra do sem-fim” Em busca do Salvador. Viva “Tieta do Agreste” Best seller à brasileira Que em filme transformou E em novela de primeira Jorge Amado, bem amado Figura tão prazenteira. 7 Olha a “Teresa Batista Cansada de guerra” está “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, agora já Um baianinho malandrinho Do Ilê Axé do Opô Afonjá. Lá na “Tenda dos Milagres” Tem “Os velhos Marinheiros” Com “O Compadre de Ogum” Unidos aos cavalheiros Quanto livro minha gente Para todos os brasileiros. Lá na “Tenda dos Milagres” Tem “Os Velhos Marinheiros” Com o “Compadre de Ogum Unidos aos cavalheiros Quanto livro minha gente Para todos os brasileiros. E dando prosseguimento Com a proteção dos céus Iutro livro vem chegando Da terra dos mundaréus O livro mais emblemático O “São Jorge dos Ihéus”. 8 E no mundo da poesia Jorge Amado soube entrar Poemas de qualidades Ele soube versejar Um livreto muito raro Que é “A Estrada do Mar”. E também para os pequenos Enveredou Jorge Amado Foi um Infanto-juvenil Com nome “O Gato Malhado E a Andorinha Sinhá” Livro feito e publicado. O “ABC de Castro Alves” Faz lembrar nosso cordel Jorge Amado fez bem-feito Esse registro no papel O “Cavalheiro da Esperança” Livro bom do menestrel. E vem obras de memórias Do garoto de Itabuna “Navegação de Cabotagem” Mas “O Menino Grapiúna” Jorge Amado sempre firme Pra vida não dá lacuna. 9 Escreveu crônicas e contos Nosso baiano em questão Uma peça de teatro Aumentando a relação De nome “O Amor do Soldado” Peça rica de emoção. Resolveu virar político Antes de ser imortal Desta feita se elegeu Deputado Federal (1945) Pode assim criar mais leis No ambiente cultural. No Governo de Getúlio Foi pressão pra todo lado Como era do PCB Do Brasil foi exilado Uruguai mais Argentina França, Praga ou outro lugar Sendo democratizado. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, pois Seu merecido lugar Não quis deixar pra depois Sabendo que a lei do mundo Um mais um é sempre dois. 10 Muitos prêmios recebidos Difícil relacionar “Graça Aranha” e “Jabuti” Aqui me ponho a citar “Moinho Santista”, “Nestlé” Outros mais no candomblé Onde vivia a freqüentar. “Sofia”, “Moinho Itália” Prêmios vindos do estrangeiro “Pablo Neruda”, “Camões” Outros prêmios em dinheiro Agora “Lênin da Paz” Para o Jorge Brasileiro. A sua obra foi traduzida Dizem que pro mundo inteiro Citar nomes dos países É coisa pra viageiro Jorge Amado foi pro mundo Um escritor visioneiro. Era bastante querido Em centenas de cidades Embora com muita fama Vivia de simplicidades Foi Doutor Honoris Causa Em 10 universidades. 11 São traços de suas obras De um Jorge politizado Preocupado com o povo Em todo seu fiel estado Pescadores, marginais Crianças e animais Excluído e injustiçado. Denunciou e combateu As malignas corrupções Amigo dos capoeiras Cordelistas e artesões Menores abandonados Malandros e foliões. Dizia ser materialista Mas era cheio de fé Freqüentava santuários Glorificado de axé Teve título de Oba Xangô Na roda do candomblé. Foi-se embora Jorge Amado Para casa Grande do Pai Na data de 6 agosto (2001) Do pensamento não me sai Hoje vive sentadinho Perto de Zélia Gattai. 12

segunda-feira, 25 de junho de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CORDÉIS MINEIROS

cordéis de minas
LEIA NESTE BLOG OS CORDÉIS:
CLUBE DA ESQUINA - SER MINEIRO, CELSO CUNHA e O MONSTRO DE ITAMARANDIBA

VISITE A:
Cordelteca Olegário Alfredo - Sabará -MG

A Cordelteca Olegário Alfredo (Mestre Gaio), está localizada na Cidade de Sabará-MG, nela se encontra um expressivo acervo de cordéis de vários autores do Brasil, com também matrizes de xilogravuras e livros sobre o assunto. Olegário Alfredo é Membro da ABLC - Academia Brasileira de Literatura e da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni. Com mais
De 100 títulos de cordéis publicados.
Veja a página: www.olegarioalfredo.com.br e o blog: www.cordeldeminas.blogspot.com

O Monstro de Itamarandiba

O MONSTRO DE ITAMARANDIBA

Autor: Olegário Alfredo – veja a página: www.olegarioalfredo.com.br

Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais.
O caso que vou contar
É mesmo de arrepiar
Desde nossos ancestrais.

Tem coisas por este mundo
Que existem de verdade
Não é folclore nem crendice
É pura veracidade
Pegue com Deus a rezar
E a maldade te livrar
Do mundo da crueldade.

Os monstros são criaturas
Vindos da imaginação
Povoam nossas cabeças
Conforme a superstição
Temos monstros populares
Visto por todos os lugares
Provocando assombração.

Há muitos anos atrás
No tempo da escravatura
Os casos eram contados
E não lidos na escritura
Tinha monstro horroroso
Grandalhão e pavoroso
E nada de formosura.

1

Existe um monstro medonho
De causar dor de barriga
Há muito tempo ele vive
Lá por Itamarandiba
O seu modo assustador
Causa espanto e causa horror
Quem zombar de sua vida.

Este monstro sempre é visto
No Vale Jequitinhonha
Ele é gordo feito porco
E de uma cara medonha
As crianças da região
Se dormir sem oração
Suam frio pela fronha.

Pois agora vou contar
Como surgiu este monstro
O seu modo de agir
A vocês logo demonstro
Quem for a Itamarandiba
Sem rezar reza comprida
Irá direto a seu encontro.

Conta-se que certa vez
Um ricaço fazendeiro
Desentendeu com o vigário
Por causa de bom dinheiro
O padre por natureza
Entendendo a safadeza
Deu uma de mandingueiro.

2

O fazendeiro abriu a boca
Maldizendo do vigário:
Você é gordo feito mula
Come até fora do horário.
Logo digo sem temer
Que o padreco também crer
É no dinheiro do operário.

Coitado do fazendeiro
Ao dizer o que não devia
Sua vida virou inferno
A partir daquele dia
Pois o vigário no ofício
Representa Jesus Cristo
No altar da sacristia.

Vou dizendo os sucedidos
Caso de monstruosidade
Cometidos pelo monstro
Pelas ruas da cidade
O monstro só quer vingar
Pondo logo a assustar
Todos da comunidade.

O vigário rancoroso
Disse para o fazendeiro:
Vou rogar-lhe uma praga
Bem pior que feiticeiro
- Comerás tudo pela frente
Calango, sapo e serpente
E sola de sapateiro.

3

E o vigário não parou
E mais praga foi jogando:
- Fazendeiro excomungado
O pior está lhe esperando
Se você quiser saber
De tão gordo vai morrer
Com a barriga estourando.

E no dia de seu enterro
Para puxar o caixão
Só com um carro de boi
De oito juntas pelo chão
E o corpo bem enterrado
Na Matriz do padre amado
Para não pedir perdão.

Pois lá dentro da igreja
O monstro não fugiria
O seu corpo lá enterrado
Muito guardado ficaria
De modo dessas razões
E o poder das orações
Da Matriz não sairia.

E o homenzarrão foi comendo
Foi comendo, foi comendo
E o seu corpo a cada dia
Foi crescendo foi crescendo
Comia tudo pela frente
Até fruta com semente
Pelo bucho ia descendo.

4

Contam o povo da cidade
Que primeiro devorou
Os mantimentos guardados
Que pela frente encontrou
Até jaca com o talo
Direto pro seu gargalo
O monstrengo empurrou.

O monstro também comeu
Todas frutas do quintal
As verduras lá da horta
Era o prato principal
Comeu tudo sem cheirar
E tão pouco examinar
Sem nada lhe fazer mal.

Em seguida comeu os bois
O cavalos e as galinhas
Porcos, burros e os cabritos
E até as ervas daninhas
E com tanta comilança
Já quase poucando a pança
Peidava enxofre e murrinha.

E não parou de comer
Comeu os bichos dos arredores
Veados, pacas e tatus
Comeu até bichos menores.
Os bichos chegando ao fim
Comeu cela, cabresto e capim
Comeu lama e trem piores.

5

Pesando mais de mil quilos
E rosnando feito cão
O monstro representava
O terror da região
Já pensando em comer gente
Espingolu-se de repente
Caiu morto pelo chão.

Para fazer o caixão
Tão grande e descomunal
Muitas toras de braúnas
Trouxeram para o local
E o corpo muito pesado
Para fora foi puxado
Com carro-de-boi real.

Quem for a Itamarandiba
Observe bem pelo chão
Verás as marcas da roda
Com tamanha perfeição
Que o carro-de-boi deixou
E o tempo nem apagou
O traço da maldição.

Com muita dificuldade
O enterraram na Matriz
Surgiram coisas medonhas
Na boca do diz-que-diz.
A população amistosa
E também religiosa
Foi sentindo se infeliz.

6

E coisas misteriosas
Começaram a acontecer
Rachaduras nas paredes
O fiel podia ver
Até o cabelo do bicho
O padre punha no lixo
Para ninguém perceber.

Ainda não faz muito tempo
Que a Matriz colonial
Fora toda destruída
Por um incêndio infernal
Só podia ser o Cão
Dando a sinalização
Que ele vive no local.

Ungido pelos poderes
Da Santa Cruz no altar
O frei jogava água benta
Para o monstro sossegar
Mesmo hoje na igreja ova
Esta cena se renova
Perante a qualquer olhar.

E o monstro não parou mais
De assustar a região
Havia defronte a igreja
Um pé de cedro fortão
Um dia sem novidade
Na rotina da cidade
O cedro pocou no chão.

7

Se o bicho sair da cova
Como reza a maldição
Comerás tudo pela frente
Até a sétima geração
Para livrar deste horror
Só água benta do Senhor
E com o poder da oração.

Até hoje ainda se vê
Saindo das rachaduras
Do assoalho da igreja
Formigada e tanajura
Diz o povo do lugar
Pra este monstro sossegar
Só mesmo com benzedura.

O monstro da região
Também tem companhia
A mulher de cinco metros
Ser sua prima ele dizia
Em noites de lua cheia
Pela igreja ela rodeia
Em busca de arrelia.

Vou contar para meu filho
Tudo que ouvi de meus pais
Assim com o passar do tempo
Não esqueceremos jamais
O caso que acaba assim
Vem do tempo do sem-fim
Lá de nossos ancestrais.

8