quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

CORDEL NONÔ O REI DO CALDO DE MOCOTÓ

CORDEL (trecho) NONÔ – O REI DO CALDO DE MOCOTÓ Todos devem conhecer A cidade de Belô, Mães, pais, filhos e avô Aqui tem muito que fazer Folgar, rezar e beber Passear pelo metrô Ver de perto a arte decô Depois é só comer sem dó POIS NOSSO REI É O NONÔ DO CALDO DE MOCOTÓ. Falando em gastronomia De Tudo já experimentei Nos bares nunca errei Foi grande minha alegria Fazer parte da freguesia Até mesmo na do Ó Por isso não vivo só Como até fora da lei POIS NONÔ É NOSSO REI DO CALDO DE MOCOTÓ. O melhor bar da cidade Não tem hora de Fechar Basta o freguês chegar Que é só felicidade. Regressando do forró Prepare logo seu gogó Pra tão logo degustar E barato vai pagar: POIS NONÔ É NOSSO REI DO CALDO DE MOCOTÓ.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

cordel os gaiolas do rio são francisco

OS GAIOLAS DO RIO SÃO FRANCISCO Neste cordel eu me vejo Passeando pela história Escrevendo pouco a pouco O que trago na memória Sobre o Rio Francisco Um marco feito de glória. Antes porém é preciso Acrescentar na introdução A história do São Francisco Grande rio da Nação A importância que ele tem Em toda sua extensão. Chamado de Velho Chico Este rio feito de encanto Por cinco estados ele cruza Leva seu sagrado manto Distribuindo alimentos Em nome do mesmo Santo. Em mil e quinhentos e um Deu-se o Rio por descoberto Foi com Américo Vespúcio Um navegador esperto Pressentia que a riqueza Dele estava muito perto. 1 Já os índios da região De sabença secular De “Opara” chamavam o rio Que significava “Rio-Mar” O homem branco lá chegando Os índios profetizando: - Este rio vai-se acabar. Lindamente o São Francisco Nasce nas terras mineiras Formados de águas mansas E também de corredeiras Um rio cheio de histórias E de lendas brasileiras. Portanto o velho Chico Um rio feito de curriola Onde se come um bom pescado Ao som alegre da viola E a saudade vem surgindo Das viagens no Gaiola. O Gaiola é no Brasil Um tipo de embarcação Que navega pelo rio De uma certa região Levando gente ribeirinha Do cerrado e do sertão. Disse o velho gaioleiro Um ditado interessante: Que navegar é preciso Viver não é semelhante Um rio corre naturalmente Devagar, chega a diante. 2 A primeira embarcação Para o povo ribeirinho Apelidado de Gaiola Retribuição de carinho Batizado pelo nome: Barco SALADANHA MARINHO. Foi importante este barco Para o baiano e mineiro Com apito rouco e estridente De longe ouvia o viageiro Tinha como itinerário, Pirapora a Juazeiro. A segunda embarcação Em viagens por águas santas No leito do São Francisco Margeando belas plantas Este barco conhecido: Como o PRESIDENTE DANTAS. A lancha CEZÁRIO foi A terceira a navegar Pelas águas do Velho Chico Viajava sem parar Um gaiola pro comércio Das pessoas do lugar. SÃO PAULO o quarto vapor Teve vida temporária Era voltado para pesca E para agropecuária Sem explicação sumiu Do Porto de Januária. 3 ANTÔNIO DO NASCIMENTO Este foi o quinto vapor Pirapora a Bom Jesus Deslanchava o roncador Tinha porte mediano E um reforçado motor. O barco ALFREDO VIANA Outro de grande valor Impulsionado por hélice Nas águas era um trator Transformado em gaiola Passa a chamar SALVADOR. O mais velozes dos gaiolas De nome MATA MACHADO Também foi o mais possante Tinha o casco achatado Levava gente importante Nunca ficando encalhado. Vem o ENGENHEIRO HALFED O maior do São Francisco Era bastante imponente Andava sem correr risco Tinha até segunda classe O gaiola mais arisco. O vapor MELO VIANA De belíssimos patamares Levava grandes toneladas Para todos os lugares Teve o nome substituído Por gaiola RAUL SOARES. 4 Tinha o nome de SÃO FRANCISCO O vapor da integração Carregou gente importante Do mais alto escalão Um incêndio inesperado Casou sua destruição. É bonito ver passar Qualquer dia qualquer hora O BENJAMIM GUIMARÃES Na cidade de Pirapora No mundo não há quem tenha Um vapor movido à lenha Ao rompimento da aurora. O gaiola Benjamim É de se encantar qualquer vista Nele pode passear Do Governador ao artista Um patrimônio mundial À espera do turista. O BARÃO DE COTEGIPE O gaiola da saudade De apito melodioso Alegria da cidade Abandonado em Pirapora Sem a menor piedade. Até hoje os barranqueiros Lamentam tal descaso O barco foi abandonado Num banco de areia raso Culpa da administração Ignorância do atraso. 5 Vem o FERNANDES CUNHA Construído em Juazeiro Tinha uma máquina moderna Navegava bem ligeiro Queimado em Matias Barbosa Em território mineiro. O CORDEIRO DE MIRANDA Um barco muito imperfeito Duas vezes naufragou Por ser alto e muito estreito Muitas pessoas morreram Por causa do tal defeito. Um dos melhores vapores Foi o WENCESLAU BRAZ O gaiola dos turistas Perfeito no leva-e-traz Veio a sofrer um naufrágio Saiu fora do cartaz. O gaiola FERNÃO DIAS Na Inglaterra fabricado Nas águas do São Francisco Com cuidado foi lançado Sem justa explicação Também foi incendiado. O gaiola ANTÔNIO OLINTO Origem desconhecida Na revolução de 30 (1930) Teve a triste despedida Navegava no São Francisco Muito tira perdeu a vida. 6 O SANTA CLARA, outro gaiola Que o caboclo d’água levou Nas águas do Velho Chico Em 32 naufragou Morrendo várias pessoas Só a saudade restou. O gaiola CORONEL RAMOS Barco cheio de nove hora Era pertencente da, Viação de Pirapora E como os demais gaiolas Pro ferro velho foi embora. Agora o FRANCISCO BISPO Nome dado em homenagem Ao melhor de todo o Vale De mecânica de engrenagem Um gaiola interessante Encantador de passagem. O gaiola SERTANEJO Rebocava duas chatas O Piriquitinho Verde Era das cores da mata Pelo Rio São Francisco Viajou por poucas datas. Origem desconhecida O GOVERNADOR VALADARES Antes de ser ferro velho Naufragou em vários lugares Um gaiola misterioso Semelhante aos lupanares. 7 O gaiola AFONSO ARINOS De origem desconhecida Também sofreu naufrágio Nesta cena repetida Ferro velho o destino Mais um fora da vida. Agora o PARACATUZINHO Barco de pequeno porte Um gaiola naufragado Bem em Minas, lá no Norte Ninguém neste não morreu Caboclo d’água deu a sorte. Vem o JURACY MAGALHÃES O maior vapor da frota Só em rio cheio navegava Para não perder a rota Abandonado em Juazeiro Teve a sua vida morta. Outros gaiolas no cordel Como o COSTA PEREIRA Naufragou em Pirapora Em plena terra mineira NILTON PRADO e RODRIGO SILVA Foram da mesma maneira. Agora pra terminar COSTA E SILVA eu enumero Junto com o JUAREZ TÁVORA Gaiolas de grande esmero De soma aos desmantelos Nossa história vai a zero. 8 Fim – 19/10/2013.

cordel chica da silva

CHICA DA SILVA Venham musas do saber Dos recônditos dos Gerais Habitantes das Arcádias De brilhantes minerais Dai-me luz para escrever Estes versos cordiais. Peço às santas protetoras Dos negros da escravidão Santa Ifigênia e do Rosário Como em forma de oração Invocar Chica da Silva Na fé da religião. E quem foi Chica da Silva Senhora sem procedência A mais bela do Tijuco Ou a rainha da opulência? Assim Chica fez causar Uma reação de pungência. No Arraial de Milho Verde Chica da Silva nasceu (1731) Não era negra, e sim parda Como o sol que entardeceu Os seus traços eram finos E bonita ela cresceu. 1 Antônio de Sá, o seu pai, Colono trabalhador Maria da Costa, sua mãe, Africana Inhá de cor Chica uma mulher diferente A marca de seu valor. Francisca veio ao mundo pobre Só conseguiu a liberdade Vivendo em concubinato Com um branco da cidade Ficou rica e conquistou Lugar na sociedade. As mulheres brasileiras Naqueles anos distantes As tidas como brancas Não eram muito elegantes Restavam às negras pardas Serem mais interessantes. Então Francisca da Silva Na boca do diz-que-diz Casa com João Fernandes O mais rico do país Assim a escrava Chica Levava a vida feliz. 2 Contratador de Diamantes: João Fernandes de Oliveira Passa viver em casamento Com a Chiquinha mineira Teve este relacionamento Repercussão brasileira. Pois a Chica que era pobre Logo se vira em um mito E por muitas gerações No fala que fala foi dito E a Chica se transformou Numa boquinha de pito. Mas a Chica também foi Tida como perdulária Devoradora de homens Vida fácil necessária Bruxa anti-religiosa Infecção da malária. Aquela que já foi escrava Em épocas temerárias Passa a ser com o passar Sensível e libertária Sensualidade aflorada Com a negra milionária. 3 Pois Chica da Silva teve Um imenso tudo sem fim Teve igreja ornamentada Com santinho e querubim Teve banda da melhor Com corneta de marfim. Mas a Chica tinha um sonho Um sonho de não acabar Os Gerais ficou pequeno No torrão dela pisar Queria ver a areia branca Queria banhar no mar. O amor de João Fernandes Era tal o soar do apito No encontrar do diamante Muito intenso e bonito Para Chica, o seu amor Era eterno e infinito. Houve um tempo, um tempo negro Em que Chica a negra ativa Por voz da população Teve imagem negativa Tudo por inveja boba Por ser mulata atrativa. 4 A história revelou Que foi pura ingratidão Pois a Chica se casou Com amor no coração Com um branco milionário Realeza da paixão. E Chica, a Chica da Silva Não pisa sem ter tapete Só caminha na liteira Nunca bate com porrete Nada faz, manda fazer Não tolera cacoete. Ninguém já viu seu cabelo Tinha a cabeça rapada Perucas de todas as partes Por ela era comprada Tudo, tudo que queria Era ser mulher amada. E Sá Chica também tinha Dentro dela a maldade Um dia, um escravo humilde Ao espiar sua beldade Mandou castrar o negrinho Soltou-o nu pela cidade. 5 Todo mundo segue Chica Ex-escrava feito menina mucamas, negros, mordomos Vão saudando-a pela esquina No sobe desce ladeira Da Vila de Diamantina. E lá vai Chica da Silva Toda soberba e risonha Diamantes pelo corpo Em liteira de cegonha Ela é a Chica-que-manda No Vale Jequitinhonha. Pois um dia uma negrinha Sorriu para o Contratador Chica da Silva de ciúmes Envermelhou de rancor Mandou arrancar os dentes A negra morreu de dor. Nhá Chica gosta de cama Para dormir e para amar Quando seu amado viajando Ela não sabe levantar Manda as mucamas trazer As delícias do lugar. 6 Chica é parte do movimento Conhecido e tido e tal De Desenvolvimentismo Ufanista Nacional Uma heroína da nascente Redentora racial. Ah, Nhá Chica teve filhos Foram 14 no total Um com o primeiro homem 13 de parto normal Com João Fernandes, seu amor. O ricaço maioral. Então ela tira os seus filhos Da cor e da escravidão, Estudando em Portugal Por aquela ocasião Assim se tornaram como: Filhos de Chica com João. Havia muitas outras Chicas Ex-escravas naturalmente Casadas com homens brancos Poderosos ricamente Outras eram do comércio Trabalhando legalmente. 7 Mas só a Chica despontou Sendo a dama do momento Face do Contratador Homem de forte portento As demais ficaram então Sob o manto do esquecimento. Chica tinha privilégios Cheia de regalidades Pode frequentar igrejas Como também irmandades Foi madrinha de batismos Em muitas localidades. A Rainha de Sabá Chica, cara cor de noite Viveu em plena liberdade Enguarnecida do acoite Feminista libertária Livrou-se cedo do açoite. Nhá Chica quando morreu (1796) Mandaram tocar a banda Missa conga para os negros Despedida com quitanda, E tomou assento no Céu, A alma da CHICA-QUE-MANDA! 8

terça-feira, 12 de novembro de 2013

CORDEL AS NOIVAS DO CORDEIRO

CORDEL AS NOIVAS DO CORDEIRO Autor: Olegário Alfredo Na grande lei do Universo Não há segundo sem primeiro O bicho homem é complicado Mas pode ser justiceiro Peço luz para escrever Sobre as Noivas do Cordeiro. São cinco horas da manhã O galo ainda no poleiro Lá se pondo a cocoricá Embelezando o terreiro Chamando pra despertar Sim, as Noivas do Cordeiro. As mulheres do lugar Muito cedo estão de pé Levam as crianças para escola Logo após tomar café Sempre livres e felizes Essa é a profissão de fé. Mas antes nada era assim O sofrer já dissipou O peito guarda a tristeza Do mal tempo que passou Foi com Maria Senhorinha Quando tudo começou. 1 Mil oitocentos noventa A data do marco zero Assim pipoca essa história Entre tanto lero-lero O desandar deste fato Foi um complicado bolero. A Maria Senhorinha Estava recém casada Com o francês Arthur Pierre Roças Novas era a morada Distrito de Belo Vale Pelo caminho da estrada. Com três meses de casório Resolveu se separar Une-se com Chico Fernandes Homem simples do lugar O povo escandalizado Pôs-se logo a marretar. E dessa louca união Muito, muito combatida Senhorinha veio a formar Uma família querida Oito filhos consagrados Exemplo de fé na vida. 2 Francisco, o filho primeiro Vem Maria Matozinho Genoveva com Vicente Seguem no mesmo caminho Geralda, Beniga, Antônia Com Ramiro mais carinho. A união de Senhorinha Teve má repercussão A igreja do catolicismo Fez a excomungação Para toda a sua família Até a quarta geração. Francisco Fernandes Filho O primeiro do casal Casa com Geralcina Filhos 12 no total * Destaca a filha DELINA A matriarca do local. O preconceito reinante Que acompanhou senhorinha Juntamente com seus filhos Foi praga de erva daninha Vai para geração seguinte A dor cega que caminha. 3 E por várias gerações Esta chaga foi marcada Obrigando-os a viver De forma mais que isolada Sem contato com ninguém Vida triste segregada. Tidas como prostitutas Cruel discriminação Muita dor com sofrimento Tempo de desolação Preconceito em toda parte Contaminou a região. Vida constante sofrida Seguida de vexatório Em qualquer parte ou lugar O mesmo repetitório Já foram apedrejadas Até mesmo em velório. Para as Noivas do Cordeiro Vem à fase crucial Pelos anos de 40 (1940) Eis que chega no local Um pastor evangélico Um cordeiro corporal. 4 De nome Anísio Pereira Um evangelizador Frequenta a comunidade Como um consolador Mas foi um oportunista Sabendo ser fingidor. Resolve o pastor Anísio Com DELINA se casar Tinha ela 16 anos De sonhos a suspirar Ele com 43 Experiência a esbanjar. Ergue a igreja evangélica Naquela comunidade Foi ironia do destino Ou o acaso da falsidade Pois de Noiva do Cordeiro Batiza a localidade. E dessa união casalar Como ninho de novilhos Nascem na comunidade Um total de doze filhos E os problemas vão surgindo Nas pausas dos estribilhos. 5 E começa este pastor A sua evangelização Todo mundo vira crente Na pequena região Assim vivem iludidas As moças do casarão. O isolamento vivido Pelas gerações passadas Veio a tornar mais aguda E as crises mais acirradas Pelas regras rigorosas Pelo pastor aplicadas. A dor da segregação Preconceito por inteiro Tristeza, desolação Jejum, falta de dinheiro Marca da Comunidade Lá na Noiva do Cordeiro. A esperança de mudança Começa já acontecer Foi nos idos de 90 (1990) Coração não quer sofrer Diz a voz interior Temos a vida pra viver. 6 E as Noivas do Cordeiros Despertaram a questionar Sobre as regras ali impostas E a doutrina do pensar E que dali para frente A alegria iria a reinar. Tudo foi num casamento Que a alforria começou Uma filha de Delina Em uma noite sonhou: - Ter música na igreja E que o povo todo veja E o sonho realizou. Muitos jovens do local Não sabiam o que era dança Passavam a vida a perder A infância da criança O ápice deste casamento Foi o germinar da bonança. E neste dia dançaram Como sendo carnaval Se livraram do fantasma De seu pecado carnal Extinguiram para sempre Aquela igreja local. 7 Nunca mais religião Institucionalizada Nem católica nem evangélica Como outra profetizada A liberdade por lá Por Deus foi proclamada. Lá nas Noivas do Cordeiro As moças são a maioria Elas aram e amam a terra Trabalham em harmonia Sabem ordenhar as vacas Tarefa de todo dia. Tecem tapetes e colchas Dos porcos sabem cuidar Criam lindas lingeries Mão de fada a trabalhar Não querem jamais perder O grande poder de amar. Como as mulheres de Athenas Trabalham no seu lugar Os homens vão pra longe Em busca do labutar Nas folgas, voltam sedentos E com elas vão amar. 8

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O MONSTRO DE ITAMARANDIBA

O MONSTRO DE ITAMARANDIBA Autor: Olegário Alfredo – veja a página: www.olegarioalfredo.com.br Vou contar para meu filho Tudo que ouvi de meus pais Assim com o passar do tempo Não esqueceremos jamais. O caso que vou contar É mesmo de arrepiar Desde nossos ancestrais. Tem coisas por este mundo Que existem de verdade Não é folclore nem crendice É pura veracidade Pegue com Deus a rezar E a maldade te livrar Do mundo da crueldade. Os monstros são criaturas Vindos da imaginação Povoam nossas cabeças Conforme a superstição Temos monstros populares Visto por todos os lugares Provocando assombração. Há muitos anos atrás No tempo da escravatura Os casos eram contados E não lidos na escritura Tinha monstro horroroso Grandalhão e pavoroso E nada de formosura. 1 Existe um monstro medonho De causar dor de barriga Há muito tempo ele vive Lá por Itamarandiba O seu modo assustador Causa espanto e causa horror Quem zombar de sua vida. Este monstro sempre é visto No Vale Jequitinhonha Ele é gordo feito porco E de uma cara medonha As crianças da região Se dormir sem oração Suam frio pela fronha. Pois agora vou contar Como surgiu este monstro O seu modo de agir A vocês logo demonstro Quem for a Itamarandiba Sem rezar reza comprida Irá direto a seu encontro. Conta-se que certa vez Um ricaço fazendeiro Desentendeu com o vigário Por causa de bom dinheiro O padre por natureza Entendendo a safadeza Deu uma de mandingueiro. 2 O fazendeiro abriu a boca Maldizendo do vigário: Você é gordo feito mula Come até fora do horário. Logo digo sem temer Que o padreco também crer É no dinheiro do operário. Coitado do fazendeiro Ao dizer o que não devia Sua vida virou inferno A partir daquele dia Pois o vigário no ofício Representa Jesus Cristo No altar da sacristia. Vou dizendo os sucedidos Caso de monstruosidade Cometidos pelo monstro Pelas ruas da cidade O monstro só quer vingar Pondo logo a assustar Todos da comunidade. O vigário rancoroso Disse para o fazendeiro: Vou rogar-lhe uma praga Bem pior que feiticeiro - Comerás tudo pela frente Calango, sapo e serpente E sola de sapateiro. 3 E o vigário não parou E mais praga foi jogando: - Fazendeiro excomungado O pior está lhe esperando Se você quiser saber De tão gordo vai morrer Com a barriga estourando. E no dia de seu enterro Para puxar o caixão Só com um carro de boi De oito juntas pelo chão E o corpo bem enterrado Na Matriz do padre amado Para não pedir perdão. Pois lá dentro da igreja O monstro não fugiria O seu corpo lá enterrado Muito guardado ficaria De modo dessas razões E o poder das orações Da Matriz não sairia. E o homenzarrão foi comendo Foi comendo, foi comendo E o seu corpo a cada dia Foi crescendo foi crescendo Comia tudo pela frente Até fruta com semente Pelo bucho ia descendo. 4 Contam o povo da cidade Que primeiro devorou Os mantimentos guardados Que pela frente encontrou Até jaca com o talo Direto pro seu gargalo O monstrengo empurrou. O monstro também comeu Todas frutas do quintal As verduras lá da horta Era o prato principal Comeu tudo sem cheirar E tão pouco examinar Sem nada lhe fazer mal. Em seguida comeu os bois O cavalos e as galinhas Porcos, burros e os cabritos E até as ervas daninhas E com tanta comilança Já quase poucando a pança Peidava enxofre e murrinha. E não parou de comer Comeu os bichos dos arredores Veados, pacas e tatus Comeu até bichos menores. Os bichos chegando ao fim Comeu cela, cabresto e capim Comeu lama e trem piores. 5 Pesando mais de mil quilos E rosnando feito cão O monstro representava O terror da região Já pensando em comer gente Espingolu-se de repente Caiu morto pelo chão. Para fazer o caixão Tão grande e descomunal Muitas toras de braúnas Trouxeram para o local E o corpo muito pesado Para fora foi puxado Com carro-de-boi real. Quem for a Itamarandiba Observe bem pelo chão Verás as marcas da roda Com tamanha perfeição Que o carro-de-boi deixou E o tempo nem apagou O traço da maldição. Com muita dificuldade O enterraram na Matriz Surgiram coisas medonhas Na boca do diz-que-diz. A população amistosa E também religiosa Foi sentindo se infeliz. 6 E coisas misteriosas Começaram a acontecer Rachaduras nas paredes O fiel podia ver Até o cabelo do bicho O padre punha no lixo Para ninguém perceber. Ainda não faz muito tempo Que a Matriz colonial Fora toda destruída Por um incêndio infernal Só podia ser o Cão Dando a sinalização Que ele vive no local. Ungido pelos poderes Da Santa Cruz no altar O frei jogava água benta Para o monstro sossegar Mesmo hoje na igreja ova Esta cena se renova Perante a qualquer olhar. E o monstro não parou mais De assustar a região Havia defronte a igreja Um pé de cedro fortão Um dia sem novidade Na rotina da cidade O cedro pocou no chão. 7 Se o bicho sair da cova Como reza a maldição Comerás tudo pela frente Até a sétima geração Para livrar deste horror Só água benta do Senhor E com o poder da oração. Até hoje ainda se vê Saindo das rachaduras Do assoalho da igreja Formigada e tanajura Diz o povo do lugar Pra este monstro sossegar Só mesmo com benzedura. O monstro da região Também tem companhia A mulher de cinco metros Ser sua prima ele dizia Em noites de lua cheia Pela igreja ela rodeia Em busca de arrelia. Vou contar para meu filho Tudo que ouvi de meus pais Assim com o passar do tempo Não esqueceremos jamais O caso que acaba assim Vem do tempo do sem-fim Lá de nossos ancestrais. 8 Postado por Olegário Alfredo às 15:38 Nenhum comentário: quinta-feira, 29 de março de 2012 cordéis de minas LEIA NESTE BLOG OS CORDÉIS: CLUBE DA ESQUINA - SER MINEIRO e CELSO CUNHA VISITE A: Cordelteca Olegário Alfredo - Sabará -MG A Cordelteca Olegário Alfredo (Mestre Gaio), está localizada na Cidade de Sabará-MG, nela se encontra um expressivo acervo de cordéis de vários autores do Brasil, com também matrizes de xilogravuras e livros sobre o assunto. Olegário Alfredo é Membro da ABLC - Academia Brasileira de Literatura e da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni. Com mais De 100 títulos de cordéis publicados. Veja a página: www.olegarioalfredo.com.br e o blog: www.cordeldeminas.blogspot.com

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cordel para Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC

CLARA NUNES CLARIDADE ETERNA Olegário Alfredo A vida que nos rodeia É feita de brevidade Viva a vida com alegria Deixe de lado a vaidade Nas voltas que o mundo dá Procure a felicidade. Tudo está na Natureza Em perfeito movimento Num pequeno grão de areia Existe muito fundamento Na alquimia do morrer Faz nascer outro elemento. Olorum que modupê Vamos todos saravá Calara Nunes está na roda Junto com seu orixá Gira, que gira girando No Illê axé opô afonjá. Vem, que vem linda menina Vem levantar a poeira Vamos todos aplaudir Clara Nunes, a guerreira. A rainha soberana Das águas da cachoeira. 1 Assim começa esta história Numa ventania de agosto Ano de quarenta e dois (1942) No céu, um sol bem disposto De Clara, foi batizada Pois ser clara, é ter bom gosto. Num pedaço de sertão Da paisagem mineira Cidade antes conhecida De Cedro da Cachoeira Paraopeba – Caetanópolis Designação derradeira. O pai, Mané Serrador Cantador e violeiro Carregava este apelido Por ser um bom carpinteiro Nas folias e congadas Ele sempre pioneiro. A mãe, Amélia se chamava Adorava o companheiro Mas da vida nada se sabe Veio o destino traiçoeiro Levou o pai depois a mãe Ao Superior Terreiro. 2 Órfã desde pequenina Foi crescendo pela vida Olhada pelos irmãos Após triste partida Assim Clara era feliz Pois o amor é quem diz Como curar a ferida. Nos afazeres de casa Ajudava suas irmãs Nas folgas se enfeitava De muitos balangandãs E gostava de cantar Ao alvorecer das manhãs. Clara gostava de brincar E não vivia sozinha Amava suas bonecas Grandes amigas que tinha Em suas folgas brincava Com a meninada vizinha. E como brincava a pequena Se deixasse, não tinha hora Era soltar papagaio Gangorrar no pé de amora Montar a cavalo no pêlo Sem usar sela ou espora. 3 Muito cedo despertou Gosto pelo Kardecismo Tinha vida recheada De forte magnetismo Eram manifestações Dentro do espiritismo. E Clara Francisca escutava Vozes do tataravô Do tempo do cativeiro O grande Babalaô - Você menina pois é: Filha de Ogum com Xangô. Na engrenagem da vida Vive escondida a surpresa Ninguém define seu caminho Nada é certo nem certeza E por causa de um sucedido Clarinha se viu indefesa. Seu namorado pois era Gente da sociedade Na fábrica de tecidos (em Paraopeba) Era máxima autoridade No, entretanto tinha fama De mal visto na cidade. 4 A notícia chegou rápida Em sua terra natal Mataram seu namorado Pra preservar sua moral Clara decepcionada Muda para a capital. E lá vai a vida rodando Empurrando o seu destino Quem chama o fiel à igreja São as repicagens do sino A força que as coisas tem São presságios do divino. Tinha pouca experiência No ramo da tecelagem A Fábrica da Renascença * Era a maior em tiragem Segue Clara para lá Muita fé em Yemanjá Com a cara e a coragem. A vida passada a limpo Uma nova situação Trabalhar para o sustento Cumprir ordem do patrão Tudo aquilo para Clara Transmutava uma canção. 5 E assim Clara se empregou Na fábrica de tecidos Ainda muito recente Com os sentimentos doídos E os apitos da tecelagem Ferindo os seus ouvidos Viu-se cair na rotina O que jamais ela queria Pois cantar era seu dom E de certo isto faria Forças vindas do distante Toda hora ela sentia. Problemas familiares Deixavam-na transtornada Mesmo assim Clara encontrava Força tamanha e encantada Em continuar trabalhando E viver sempre sonhando Em ser cantora afamada. E foi no coral da igreja Que teve oportunidade Em mostrar a bela voz Naquela localidade Cantou como um rouxinol E com naturalidade. 6 Esta data representou Um salto para o futuro E uma luz no fim do túnel Fez clarear o escuro Clara viu naquela hora Gosto do fruto maduro Recebe de bate pronto Um convite salutar E na Rádio Inconfidência Já poderia a cantar As portas da felicidade Deu sinal pra não fechar. E lá vai a vida prosseguindo O seu natural percurso Clara muito obstinada Mesmo com pouco recurso Vence “A VOZ DE OURO ABC” * O concorrido concurso. Logo então a mineirinha Ver subir sua moral Cantando em casas noturnas No centro da Capital Muito rápido viu chegar A projeção nacional. 7 Logo assim um bom amigo Do balaio jornalístico A propõe mudar de nome Para que seja mais artístico Muda para Clara Nunes Nome forte e muito místico. Olurum é quem governa O Universo por inteiro São Jorge que é Ogum É quem manda no terreiro Clara Nunes cai na vida Com fé no seu padroeiro. E lá vai a mineirinha Rumo ao Rio de janeiro (1965) Contratada pela Odeon Sonhando em ver dinheiro Boleros e sambas-canções Músicas de seu roteiro. Logo vem outro LP (1968) “Você Passa Eu Acho Graça” Grande sucesso de fato Estourou por toda praça Pois o samba era seu dom Que de cabeça ela abraça. 8 E Clara Nunes pois era Uma mulher incomum Seu corpo comunicava Era de quebrar o jejum Sua voz emocionava O seu perfume exalava A beleza pura de Oxum. Clara Nunes pelos palcos Era de impressionar Transmitia verdade Possuía ímã no olhar Era mesmo uma explosão Tinha determinação No começo do cantar. Mulher de senso prático E toda ela sincrética Na Umbanda ou Candomblé Carregava a mesma ética No Católico ou Kadercismo Mostrando seu sincretismo Na mesma linha estética. Com tamanhas qualidades Esta sobrenatural Clara ganha relevância No cenário musical Agrega ritmos populares Frenquenta todos os lugares Uma mulher sem igual. 9 Descobre sozinha que Na vida não tem segredo Caminhando para frente É que vai perdendo o medo Pois foi ela a primeira dama A gravar sambas-enredo. E temos Clara Nunes Do Brasil, a voz mais bela A sua grandeza a fez Desfilar na passarela Dando brilho colossal No gigante carnaval Lá na Escola da Portela. A partir deste momento No auge de sua carreira Lança mais um elepê (1971) Só com músicas de primeira Clarinha torna-se então Totalmente brasileira. Em seguida veio o sucesso Com o disco alvorecer (1974) Mais de 500 mil cópias Pôs-se rápido a vender Foi a primeira brasileira Esta conquista receber. 10 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora Influenciou gerações Transitava sem preconceito Em todas religiões Sabemos que neste mundo Não há segundo sem primeiro Clara Nunes na caçada Com seu tiro bem certeiro Realiza o casamento Com Paulo César Pinheiro. Um grande compositor Um bruxo visionário Um poeta de primeira Um valente missionário E junto com Clara vão Rompendo o fuso-horário. Naturalmente gravaram Diversas composições Os sambas foram parar Em outras tantas nações Sempre da mesma maneira: Explodindo corações. Clara Nunes foi portanto Carismática e muito bela O seu cantar parecia Ser uma oração singela Da terra subia ao Céu Em formato de aquarela. 11 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora E por todas regiões Transitou sem preconceito Por todas religiões Fez sorrir e fez chorar Os mais puros corações. A vida como sabemos Nada mais é que surpresa Clara Nunes num só segundo Estava muda e indefesa - Se a ceia estava servida A uma pessoa tão querida Por que tiraram a mesa? Morrer acontece, sabemos Toda morte deixa dor Tão cedo Clara subiu Para o Andar Superior E por lá vive cantando Junto de Nosso Senhor. 12

Cordel para Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC

CLARA NUNES CLARIDADE ETERNA Olegário Alfredo A vida que nos rodeia É feita de brevidade Viva a vida com alegria Deixe de lado a vaidade Nas voltas que o mundo dá Procure a felicidade. Tudo está na Natureza Em perfeito movimento Num pequeno grão de areia Existe muito fundamento Na alquimia do morrer Faz nascer outro elemento. Olorum que modupê Vamos todos saravá Calara Nunes está na roda Junto com seu orixá Gira, que gira girando No Illê axé opô afonjá. Vem, que vem linda menina Vem levantar a poeira Vamos todos aplaudir Clara Nunes, a guerreira. A rainha soberana Das águas da cachoeira. 1 Assim começa esta história Numa ventania de agosto Ano de quarenta e dois (1942) No céu, um sol bem disposto De Clara, foi batizada Pois ser clara, é ter bom gosto. Num pedaço de sertão Da paisagem mineira Cidade antes conhecida De Cedro da Cachoeira Paraopeba – Caetanópolis Designação derradeira. O pai, Mané Serrador Cantador e violeiro Carregava este apelido Por ser um bom carpinteiro Nas folias e congadas Ele sempre pioneiro. A mãe, Amélia se chamava Adorava o companheiro Mas da vida nada se sabe Veio o destino traiçoeiro Levou o pai depois a mãe Ao Superior Terreiro. 2 Órfã desde pequenina Foi crescendo pela vida Olhada pelos irmãos Após triste partida Assim Clara era feliz Pois o amor é quem diz Como curar a ferida. Nos afazeres de casa Ajudava suas irmãs Nas folgas se enfeitava De muitos balangandãs E gostava de cantar Ao alvorecer das manhãs. Clara gostava de brincar E não vivia sozinha Amava suas bonecas Grandes amigas que tinha Em suas folgas brincava Com a meninada vizinha. E como brincava a pequena Se deixasse, não tinha hora Era soltar papagaio Gangorrar no pé de amora Montar a cavalo no pêlo Sem usar sela ou espora. 3 Muito cedo despertou Gosto pelo Kardecismo Tinha vida recheada De forte magnetismo Eram manifestações Dentro do espiritismo. E Clara Francisca escutava Vozes do tataravô Do tempo do cativeiro O grande Babalaô - Você menina pois é: Filha de Ogum com Xangô. Na engrenagem da vida Vive escondida a surpresa Ninguém define seu caminho Nada é certo nem certeza E por causa de um sucedido Clarinha se viu indefesa. Seu namorado pois era Gente da sociedade Na fábrica de tecidos (em Paraopeba) Era máxima autoridade No, entretanto tinha fama De mal visto na cidade. 4 A notícia chegou rápida Em sua terra natal Mataram seu namorado Pra preservar sua moral Clara decepcionada Muda para a capital. E lá vai a vida rodando Empurrando o seu destino Quem chama o fiel à igreja São as repicagens do sino A força que as coisas tem São presságios do divino. Tinha pouca experiência No ramo da tecelagem A Fábrica da Renascença * Era a maior em tiragem Segue Clara para lá Muita fé em Yemanjá Com a cara e a coragem. A vida passada a limpo Uma nova situação Trabalhar para o sustento Cumprir ordem do patrão Tudo aquilo para Clara Transmutava uma canção. 5 E assim Clara se empregou Na fábrica de tecidos Ainda muito recente Com os sentimentos doídos E os apitos da tecelagem Ferindo os seus ouvidos Viu-se cair na rotina O que jamais ela queria Pois cantar era seu dom E de certo isto faria Forças vindas do distante Toda hora ela sentia. Problemas familiares Deixavam-na transtornada Mesmo assim Clara encontrava Força tamanha e encantada Em continuar trabalhando E viver sempre sonhando Em ser cantora afamada. E foi no coral da igreja Que teve oportunidade Em mostrar a bela voz Naquela localidade Cantou como um rouxinol E com naturalidade. 6 Esta data representou Um salto para o futuro E uma luz no fim do túnel Fez clarear o escuro Clara viu naquela hora Gosto do fruto maduro Recebe de bate pronto Um convite salutar E na Rádio Inconfidência Já poderia a cantar As portas da felicidade Deu sinal pra não fechar. E lá vai a vida prosseguindo O seu natural percurso Clara muito obstinada Mesmo com pouco recurso Vence “A VOZ DE OURO ABC” * O concorrido concurso. Logo então a mineirinha Ver subir sua moral Cantando em casas noturnas No centro da Capital Muito rápido viu chegar A projeção nacional. 7 Logo assim um bom amigo Do balaio jornalístico A propõe mudar de nome Para que seja mais artístico Muda para Clara Nunes Nome forte e muito místico. Olurum é quem governa O Universo por inteiro São Jorge que é Ogum É quem manda no terreiro Clara Nunes cai na vida Com fé no seu padroeiro. E lá vai a mineirinha Rumo ao Rio de janeiro (1965) Contratada pela Odeon Sonhando em ver dinheiro Boleros e sambas-canções Músicas de seu roteiro. Logo vem outro LP (1968) “Você Passa Eu Acho Graça” Grande sucesso de fato Estourou por toda praça Pois o samba era seu dom Que de cabeça ela abraça. 8 E Clara Nunes pois era Uma mulher incomum Seu corpo comunicava Era de quebrar o jejum Sua voz emocionava O seu perfume exalava A beleza pura de Oxum. Clara Nunes pelos palcos Era de impressionar Transmitia verdade Possuía ímã no olhar Era mesmo uma explosão Tinha determinação No começo do cantar. Mulher de senso prático E toda ela sincrética Na Umbanda ou Candomblé Carregava a mesma ética No Católico ou Kadercismo Mostrando seu sincretismo Na mesma linha estética. Com tamanhas qualidades Esta sobrenatural Clara ganha relevância No cenário musical Agrega ritmos populares Frenquenta todos os lugares Uma mulher sem igual. 9 Descobre sozinha que Na vida não tem segredo Caminhando para frente É que vai perdendo o medo Pois foi ela a primeira dama A gravar sambas-enredo. E temos Clara Nunes Do Brasil, a voz mais bela A sua grandeza a fez Desfilar na passarela Dando brilho colossal No gigante carnaval Lá na Escola da Portela. A partir deste momento No auge de sua carreira Lança mais um elepê (1971) Só com músicas de primeira Clarinha torna-se então Totalmente brasileira. Em seguida veio o sucesso Com o disco alvorecer (1974) Mais de 500 mil cópias Pôs-se rápido a vender Foi a primeira brasileira Esta conquista receber. 10 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora Influenciou gerações Transitava sem preconceito Em todas religiões Sabemos que neste mundo Não há segundo sem primeiro Clara Nunes na caçada Com seu tiro bem certeiro Realiza o casamento Com Paulo César Pinheiro. Um grande compositor Um bruxo visionário Um poeta de primeira Um valente missionário E junto com Clara vão Rompendo o fuso-horário. Naturalmente gravaram Diversas composições Os sambas foram parar Em outras tantas nações Sempre da mesma maneira: Explodindo corações. Clara Nunes foi portanto Carismática e muito bela O seu cantar parecia Ser uma oração singela Da terra subia ao Céu Em formato de aquarela. 11 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora E por todas regiões Transitou sem preconceito Por todas religiões Fez sorrir e fez chorar Os mais puros corações. A vida como sabemos Nada mais é que surpresa Clara Nunes num só segundo Estava muda e indefesa - Se a ceia estava servida A uma pessoa tão querida Por que tiraram a mesa? Morrer acontece, sabemos Toda morte deixa dor Tão cedo Clara subiu Para o Andar Superior E por lá vive cantando Junto de Nosso Senhor. 12

Corde em louvor a Clara Nunes - Olegário Alfredo da ABLC

CLARA NUNES CLARIDADE ETERNA Olegário Alfredo A vida que nos rodeia É feita de brevidade Viva a vida com alegria Deixe de lado a vaidade Nas voltas que o mundo dá Procure a felicidade. Tudo está na Natureza Em perfeito movimento Num pequeno grão de areia Existe muito fundamento Na alquimia do morrer Faz nascer outro elemento. Olorum que modupê Vamos todos saravá Calara Nunes está na roda Junto com seu orixá Gira, que gira girando No Illê axé opô afonjá. Vem, que vem linda menina Vem levantar a poeira Vamos todos aplaudir Clara Nunes, a guerreira. A rainha soberana Das águas da cachoeira. 1 Assim começa esta história Numa ventania de agosto Ano de quarenta e dois (1942) No céu, um sol bem disposto De Clara, foi batizada Pois ser clara, é ter bom gosto. Num pedaço de sertão Da paisagem mineira Cidade antes conhecida De Cedro da Cachoeira Paraopeba – Caetanópolis Designação derradeira. O pai, Mané Serrador Cantador e violeiro Carregava este apelido Por ser um bom carpinteiro Nas folias e congadas Ele sempre pioneiro. A mãe, Amélia se chamava Adorava o companheiro Mas da vida nada se sabe Veio o destino traiçoeiro Levou o pai depois a mãe Ao Superior Terreiro. 2 Órfã desde pequenina Foi crescendo pela vida Olhada pelos irmãos Após triste partida Assim Clara era feliz Pois o amor é quem diz Como curar a ferida. Nos afazeres de casa Ajudava suas irmãs Nas folgas se enfeitava De muitos balangandãs E gostava de cantar Ao alvorecer das manhãs. Clara gostava de brincar E não vivia sozinha Amava suas bonecas Grandes amigas que tinha Em suas folgas brincava Com a meninada vizinha. E como brincava a pequena Se deixasse, não tinha hora Era soltar papagaio Gangorrar no pé de amora Montar a cavalo no pêlo Sem usar sela ou espora. 3 Muito cedo despertou Gosto pelo Kardecismo Tinha vida recheada De forte magnetismo Eram manifestações Dentro do espiritismo. E Clara Francisca escutava Vozes do tataravô Do tempo do cativeiro O grande Babalaô - Você menina pois é: Filha de Ogum com Xangô. Na engrenagem da vida Vive escondida a surpresa Ninguém define seu caminho Nada é certo nem certeza E por causa de um sucedido Clarinha se viu indefesa. Seu namorado pois era Gente da sociedade Na fábrica de tecidos (em Paraopeba) Era máxima autoridade No, entretanto tinha fama De mal visto na cidade. 4 A notícia chegou rápida Em sua terra natal Mataram seu namorado Pra preservar sua moral Clara decepcionada Muda para a capital. E lá vai a vida rodando Empurrando o seu destino Quem chama o fiel à igreja São as repicagens do sino A força que as coisas tem São presságios do divino. Tinha pouca experiência No ramo da tecelagem A Fábrica da Renascença * Era a maior em tiragem Segue Clara para lá Muita fé em Yemanjá Com a cara e a coragem. A vida passada a limpo Uma nova situação Trabalhar para o sustento Cumprir ordem do patrão Tudo aquilo para Clara Transmutava uma canção. 5 E assim Clara se empregou Na fábrica de tecidos Ainda muito recente Com os sentimentos doídos E os apitos da tecelagem Ferindo os seus ouvidos Viu-se cair na rotina O que jamais ela queria Pois cantar era seu dom E de certo isto faria Forças vindas do distante Toda hora ela sentia. Problemas familiares Deixavam-na transtornada Mesmo assim Clara encontrava Força tamanha e encantada Em continuar trabalhando E viver sempre sonhando Em ser cantora afamada. E foi no coral da igreja Que teve oportunidade Em mostrar a bela voz Naquela localidade Cantou como um rouxinol E com naturalidade. 6 Esta data representou Um salto para o futuro E uma luz no fim do túnel Fez clarear o escuro Clara viu naquela hora Gosto do fruto maduro Recebe de bate pronto Um convite salutar E na Rádio Inconfidência Já poderia a cantar As portas da felicidade Deu sinal pra não fechar. E lá vai a vida prosseguindo O seu natural percurso Clara muito obstinada Mesmo com pouco recurso Vence “A VOZ DE OURO ABC” * O concorrido concurso. Logo então a mineirinha Ver subir sua moral Cantando em casas noturnas No centro da Capital Muito rápido viu chegar A projeção nacional. 7 Logo assim um bom amigo Do balaio jornalístico A propõe mudar de nome Para que seja mais artístico Muda para Clara Nunes Nome forte e muito místico. Olurum é quem governa O Universo por inteiro São Jorge que é Ogum É quem manda no terreiro Clara Nunes cai na vida Com fé no seu padroeiro. E lá vai a mineirinha Rumo ao Rio de janeiro (1965) Contratada pela Odeon Sonhando em ver dinheiro Boleros e sambas-canções Músicas de seu roteiro. Logo vem outro LP (1968) “Você Passa Eu Acho Graça” Grande sucesso de fato Estourou por toda praça Pois o samba era seu dom Que de cabeça ela abraça. 8 E Clara Nunes pois era Uma mulher incomum Seu corpo comunicava Era de quebrar o jejum Sua voz emocionava O seu perfume exalava A beleza pura de Oxum. Clara Nunes pelos palcos Era de impressionar Transmitia verdade Possuía ímã no olhar Era mesmo uma explosão Tinha determinação No começo do cantar. Mulher de senso prático E toda ela sincrética Na Umbanda ou Candomblé Carregava a mesma ética No Católico ou Kadercismo Mostrando seu sincretismo Na mesma linha estética. Com tamanhas qualidades Esta sobrenatural Clara ganha relevância No cenário musical Agrega ritmos populares Frenquenta todos os lugares Uma mulher sem igual. 9 Descobre sozinha que Na vida não tem segredo Caminhando para frente É que vai perdendo o medo Pois foi ela a primeira dama A gravar sambas-enredo. E temos Clara Nunes Do Brasil, a voz mais bela A sua grandeza a fez Desfilar na passarela Dando brilho colossal No gigante carnaval Lá na Escola da Portela. A partir deste momento No auge de sua carreira Lança mais um elepê (1971) Só com músicas de primeira Clarinha torna-se então Totalmente brasileira. Em seguida veio o sucesso Com o disco alvorecer (1974) Mais de 500 mil cópias Pôs-se rápido a vender Foi a primeira brasileira Esta conquista receber. 10 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora Influenciou gerações Transitava sem preconceito Em todas religiões Sabemos que neste mundo Não há segundo sem primeiro Clara Nunes na caçada Com seu tiro bem certeiro Realiza o casamento Com Paulo César Pinheiro. Um grande compositor Um bruxo visionário Um poeta de primeira Um valente missionário E junto com Clara vão Rompendo o fuso-horário. Naturalmente gravaram Diversas composições Os sambas foram parar Em outras tantas nações Sempre da mesma maneira: Explodindo corações. Clara Nunes foi portanto Carismática e muito bela O seu cantar parecia Ser uma oração singela Da terra subia ao Céu Em formato de aquarela. 11 Clara Nunes fez de tudo Com amor e serenidade Subiu no palco com brilho Sem pecado ou vaidade Inaugurou um teatro De sua propriedade. Viajou pelo mundo afora E por todas regiões Transitou sem preconceito Por todas religiões Fez sorrir e fez chorar Os mais puros corações. A vida como sabemos Nada mais é que surpresa Clara Nunes num só segundo Estava muda e indefesa - Se a ceia estava servida A uma pessoa tão querida Por que tiraram a mesa? Morrer acontece, sabemos Toda morte deixa dor Tão cedo Clara subiu Para o Andar Superior E por lá vive cantando Junto de Nosso Senhor. 12

segunda-feira, 23 de julho de 2012

CORDEL PARA JORGE AMADO Peço ao Senhor do Bonfim A seus pés ajoelhado Que deixai constantemente Meu caminho iluminado Para que possa escrever Vida e obra de Jorge Amado. A Bahia é um celeiro De portento cabedal É berço da capoeira Candomblé e carnaval E para o Brasil inteiro Foi a primeira capital. Terra de grandes artistas Da música e literatura Artes plásticas e cerâmicas Cordel e xilogravura Desde o tempo do barroco Sempre na mesma postura. CORDEL PARA JORGE AMADO Autor Olegário Alfredo Peço ao Senhor do Bonfim A seus pés ajoelhado Que deixai constantemente Meu caminho iluminado Para que possa escrever Vida e obra de Jorge Amado. A Bahia é um celeiro De portento cabedal É berço da capoeira Candomblé e carnaval E para o Brasil inteiro Foi a primeira capital. Terra de grandes artistas Da música e literatura Artes plásticas e cerâmicas Cordel e xilogravura Desde o tempo do barroco Sempre na mesma postura. Louvemos Jorge Amado Grande escritor por inteiro Soube bem representar O dia-a-dia corriqueiro Sendo um bom regionalista Do baiano brasileiro. 1 Quem visita Salvador Fica todo deslumbrado A riqueza arquitetônica Não há nada comparado Numa delas é que fica A "Casa de Jorge Amado". E toda obra deste artista Nesta casa está guardada É uma casa magnífica Precisa ser visitada A magia de Jorge Amado Pra Nação foi proclamada. Jorge Amado de Farias Dia 10 de agosto nasceu Na cidade de Itabuna E em Ilhéus ele crescer Ainda muito pequeno Escrever ele aprendeu. Foi filho de João Amado E dona Eulália Leal O menino baianês Angoleiro Regional Seu carisma se espalhou Muito além da capital. 2 Teve infância de moleque Em Ilhéus terra baiana Vivendo à beira do cais Vendo a vida cotidiana De quem vive pela terra Pelo mar ou pela serra Feito tradição cigana. Jorge Amado um ser humano Realista e sonhador Vivia transitando Em Ilhéus e Salvador Duas cidades recheadas De magia, mistério e amor. Tendo somente quinze anos No jornalismo inicia Publicando suas matérias No “Diário da Bahia” Demonstrando qualidades Nos artigos que escrevia. Dando sinais de mudança Da nossa literatura Cria junto aos escritores Demonstrando ruptura A famosa “Academia Dos Rebeldes” da Bahia. Marco forte da cultura. 3 Em revistas de vanguarda Foi um bom colaborador “Momento e Meridiano” Incomodava o leitor Assim era Jorge Amado Um polêmico inovador. Formado em advocacia Mas não quis seguir carreira Via na literatura Aliada companheira Desta forma agradou Toda nação brasileira. A sua primeira mulher Foi Matilde Garcia Rosa Gerou uma garota linda Lila, doce e formosa Muito cedo faleceu De maneira melindrosa. Jorge Amado logo então Veio a casar novamente Zélia Gattai mulher linda É que foi a pretendente O João Jorge e Paloma Seus filhos naturalmente. 4 No ano de trinta e um Uma data sem igual Escreve o primeiro livro "O País do Carnaval" Jorge Amado ver na frente O campo internacional. Jorge Amado passa a ter Tempestade cerebral Pois no ano trinta e três Lança o romance "Cacau" Trinta e quatro vem "Suor" De forma bem natural. O baianinho porreta Docemente vagabundo Descobriu no ser humano O seu sentido profundo Desta forma os seus livros Se esparramam pelo mundo. No ano de trinta e cinco Com a bênção do orixá Trazida dos ancestrais Escreve o “Jubiabá” Romance de cunho forte Modernista vatapá. 5 Pelos anos 36 Com todo tomado corpo Pela pura literatura Observada no cais do porto Nos apresenta a obra prima Que foi o livro “Mar Morto”. Peneirando o social Em sua mágica bateia Pelo dia ensolarado Ou nas noites de lua cheia Escreve o livro mais lindo Que é o "Capitães de Areia" Com vasta bibliografia É mesmo de se admirar Vou citando as consagradas Pelo Brasil e além-mar Jorge Amado, amado rei Tão profundo e popular. Temos "Farda e Fardão Camisola de Dormir" Livro de humor ferino Para chora e sorrir Da banalidade da elite Que tem medo de cair. 6 E vem "Gabriela Cravo e Canela" na passarela O mundo inteiro assistiu Livro que virou novela Coronéis, jagunços e gringos Todo mundo amante dela. “Dona Flor, seus dois Maridos” Escreve com maestria Relatando com sabor Vida besta da Bahia Logo “Os Pastores da Noite” Livro cheio de magia. São livros atrás de livros “Seara Vermelha” a dor Da vida do retirante Que foge do dissabor Lá da “Terra do sem-fim” Em busca do Salvador. Viva “Tieta do Agreste” Best seller à brasileira Que em filme transformou E em novela de primeira Jorge Amado, bem amado Figura tão prazenteira. 7 Olha a “Teresa Batista Cansada de guerra” está “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, agora já Um baianinho malandrinho Do Ilê Axé do Opô Afonjá. Lá na “Tenda dos Milagres” Tem “Os velhos Marinheiros” Com “O Compadre de Ogum” Unidos aos cavalheiros Quanto livro minha gente Para todos os brasileiros. Lá na “Tenda dos Milagres” Tem “Os Velhos Marinheiros” Com o “Compadre de Ogum Unidos aos cavalheiros Quanto livro minha gente Para todos os brasileiros. E dando prosseguimento Com a proteção dos céus Iutro livro vem chegando Da terra dos mundaréus O livro mais emblemático O “São Jorge dos Ihéus”. 8 E no mundo da poesia Jorge Amado soube entrar Poemas de qualidades Ele soube versejar Um livreto muito raro Que é “A Estrada do Mar”. E também para os pequenos Enveredou Jorge Amado Foi um Infanto-juvenil Com nome “O Gato Malhado E a Andorinha Sinhá” Livro feito e publicado. O “ABC de Castro Alves” Faz lembrar nosso cordel Jorge Amado fez bem-feito Esse registro no papel O “Cavalheiro da Esperança” Livro bom do menestrel. E vem obras de memórias Do garoto de Itabuna “Navegação de Cabotagem” Mas “O Menino Grapiúna” Jorge Amado sempre firme Pra vida não dá lacuna. 9 Escreveu crônicas e contos Nosso baiano em questão Uma peça de teatro Aumentando a relação De nome “O Amor do Soldado” Peça rica de emoção. Resolveu virar político Antes de ser imortal Desta feita se elegeu Deputado Federal (1945) Pode assim criar mais leis No ambiente cultural. No Governo de Getúlio Foi pressão pra todo lado Como era do PCB Do Brasil foi exilado Uruguai mais Argentina França, Praga ou outro lugar Sendo democratizado. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, pois Seu merecido lugar Não quis deixar pra depois Sabendo que a lei do mundo Um mais um é sempre dois. 10 Muitos prêmios recebidos Difícil relacionar “Graça Aranha” e “Jabuti” Aqui me ponho a citar “Moinho Santista”, “Nestlé” Outros mais no candomblé Onde vivia a freqüentar. “Sofia”, “Moinho Itália” Prêmios vindos do estrangeiro “Pablo Neruda”, “Camões” Outros prêmios em dinheiro Agora “Lênin da Paz” Para o Jorge Brasileiro. A sua obra foi traduzida Dizem que pro mundo inteiro Citar nomes dos países É coisa pra viageiro Jorge Amado foi pro mundo Um escritor visioneiro. Era bastante querido Em centenas de cidades Embora com muita fama Vivia de simplicidades Foi Doutor Honoris Causa Em 10 universidades. 11 São traços de suas obras De um Jorge politizado Preocupado com o povo Em todo seu fiel estado Pescadores, marginais Crianças e animais Excluído e injustiçado. Denunciou e combateu As malignas corrupções Amigo dos capoeiras Cordelistas e artesões Menores abandonados Malandros e foliões. Dizia ser materialista Mas era cheio de fé Freqüentava santuários Glorificado de axé Teve título de Oba Xangô Na roda do candomblé. Foi-se embora Jorge Amado Para casa Grande do Pai Na data de 6 agosto (2001) Do pensamento não me sai Hoje vive sentadinho Perto de Zélia Gattai. 12