sábado, 21 de maio de 2016

Rabeca Mineira: com Olegário Alfredo (Mestre Gaio) olegarioalfredo@gmail.com - www.olegarioalfredo.com.br

sexta-feira, 27 de junho de 2014

FREI CHICO EM CORDEL

FREI CHICO EM CORDEL Autor: Olegário Alfredo Santo Deus onipotente Arquiteto do Universo Deixai-me neste cordel Profundamente imerso Para que eu possa escrever E que todos possam ler Vida de Frei Chico em verso. O corpo do ser humano É parecido com uma fresa Não sendo ele bem cuidado O malefício o despreza Se atacado por doença É preciso que haja crença Pois só se salva com a reza. Francisco Van Der Poel Popularmente, o Frei Chico Para o povo brasileiro Carrega a vida no bico Mistura de homem bicho Conhecedor de todo nicho Com alma de tico-tico. Mil novecentos e quarenta A data do nascimento 3 de agosto registrado No livro do sacramento Do homem, quem traça o destino Desde cedo pequenino É Jesus no firmamento. 1 Vindo direto da Holanda Para o país da mistura Aporta em tempos de ferro (1968) Da excomungada ditadura Onde tudo era proibido Só se fazia escondido: Macumba, reza e cultura. De sorte, o frade holandês Que era adepto ao Rosário Foi por ordem franciscana Traçado seu itinerário Trabalhar no Araçuaí E dali não mais sair Como obreiro missionário. Vale do Jequitinhonha Lugar de sofreguidão Sem lanterna segue o frei Achar luz na escuridão Ele sabia que no mundo Naquele perau profundo Ser a mais pobre região. Jesus Salve Frei Chico Este holandês mineiro Que ao descobrir um tiquinho Deste Brasil brasileiro No Vale Jequitinhonha Onde o viver é o que sonha Entendeu-o por inteiro. 2 Tal qual Guimarães Rosa Andava por todos os lugares As amizades surgindo Nas feiras, ruas e lares Carregando uma caneta Anotando na caderneta Os dizeres e cantares. Pendurado no seu hábito Um palhaço de boneco Diz ser seu modo anarquista Seu pequenino amoreco Leva o bichim pra todo lado Palestra, show, batizado E em cantiga de boteco. “Eu sou um palhaço de circo” Diz o frade na sabença Seu picadeiro são as feiras E não há quem o desconvença Tocando seu violão Botando fé na benzeção Do jeito que o povo pensa. A arte popular é um dom Como também vocação Pois não existe arte errada Em qualquer parte ou região Aprendendo com o velho Como se fosse um evangelho Faz parte do coração. 3 E Frei Chico nas andanças Descobriu pelo sertão Ser forte o poder do povo Se brotado pelo chão Uns vive à mercê de Deus Estes semelhantes aos seus Outros na vida do Cão. - A vida: se sabe, não é fácil, Vou dizer para vocês Que Frei Chico faz num dia Sei que ninguém faz num mês. O padre ora, toca e canta O Rumãozinho? Pega e espanta Com seus caxinguelês. Tradição oral é sinônimo De contemporaneidade O povo sabe pensar A partir da totalidade A experiência da vida Quer seja alegre ou sofrida Vive na comunidade. A vida, com sabemos Da religiosidade Não deve ser separada É próprio da humanidade Seguir por intuição Através da religião A cultura desejada. 4 Frei Chico todo é formado De uma simples beleza Adora o povo do Vale Em vez de ver a pobreza Ver na tradição da fé Tão bonita que ela é A sua real riqueza. O Frei Chico viu no povo Um grande potencial Nas canções das lavadeiras Lavando roupas no quintal Nas rezas das benzedeiras Nas festas das brincadeiras Pega e cria um coral. Frei Chico sabe falar A língua do mineirês Muito culto e poliglota Fala o latim e holandês Fala o francês e alemão Fala a língua do sertão Ainda o grego mais o inglês. Seguidor da Teologia De nome “Libertação” A favor do socialismo Da gente de pé no chão Vê na cultura popular A força do secular No bater da pulsação. 5 E Frei Chico também sabe Valorizar a Rotina A vida neste mundão É doce como felina É o povo no povaréu Filhos do Papai do Céu Quem ilumina sua retina. Frei Chico é um cidadão Simples e comunicativo Para a cultura popular Um grande superlativo Risonho com todo mundo Um erudita profundo Sobretudo criativo. Foi no Jequitinhonha O Vale do suspirar Que mudou no franciscano O seu modo de pensar Aprendeu com os mais pobres Ver a riqueza dos nobres Na cultura popular. Disposto a amar vida Frei Chico na mata embronha Para quem crer no divino Não há doença medonha É o povo quem ensina A popular medicina No Vale Jequitinhonha. 6 E foram décadas ouvindo O bater dos machadeiros E pelas barrancas do Rio O cantar dos canoeiros E pela caatinga do sertão Segredado em seu surrão Os aboios dos boiadeiros. Na roda do benfazejo O capeta é perverso Na roda da malvadeza Jesus Cristo é o inverso Frei Chico é conhecedor Aclamado como um doutor Na arte de jogar verso. Na hora do padecer De quem vive no calvário O coitado ser vivente Corre e chama o vigário Junto com a benzedeira Frei Chico na rezadeira Quem desembola o Rosário. Frei Chico se transformou Num autêntico catrumano O linguajar do mineiro Pronuncia sem engano: Disgramou no quiabar Está no seu cotidiano. 7 Já publicou vários livros Na linha do popular Em escolas especiais É professor exemplar Sem saber o corpo reza E o doutor comum despreza O que o Frei sabe falar. Frei Chico um cancioneiro Da lira do sertanejo Mais do que religioso Sabedor do pastorejo Batina com tabatinga Do Calhau Velho a Itinga Do atacado ao varejo. Lá vai o padre Francisco Um dos mais sublime artista Carrega seu povo no bolso Sem nunca perder de vista Bodogô de rouco berro Pés de estrada de ferro Doce brilho da ametista. 8

quinta-feira, 3 de abril de 2014

CORDEL PARA SANTO ANTÕNIO - oLEGÁRIO aLFREDO

SANTO ANTÔNIO A vida que nos rodeia É feita de brevidade Viva a vida com amor Deixe de lado a vaidade Tente sempre um pouquinho Cada dia no seu caminho Praticar a caridade. Peço ao Pai Celestial Um pouco de inspiração Pra falar de modo simples Com clareza e emoção Sobre avida deste santo Que habita em todo canto De quem tem bom coração. Santo Antônio foi nascido Na cidade de Lisboa No país que é Portugal De Camões e de Pessoa. Santo Antônio é quem protege De tudo que for herege E Jesus nos abençoa. Santo Antônio é protetor Das flores e passarinhos Dos que andam pelo mundo Solitários e sozinhos Santo Antônio também é Da barquinha de Noé Companheiro dos bichinhos. 1 anto Antônio, Ó Santo Antônio, Eu te peço no momento Tirai com sua bondade Todo mau pensamento De quem anda atormentado E de quem vive afastado Do sublime sentimento. Santo Antônio é conhecido Pelo povo brasileiro Como santo dos humildes E santo casamenteiro Santo Antônio é popular Gosta mesmo de ajudar O povo do mundo inteiro. Mas para isso é preciso Nele crer com devoção Pois todo necessitado É elemento de inclusão. Praticar a caridade Sem medir dificuldade é dever do coração. O seu nome verdadeiro Foi Fernando de Bulhões Trocou o nome para Antônio Por força das orações Sendo da Ordem Franciscana Abraçado à causa humana De quaisquer religiões. 2 Santo Antônio foi um grande Frade evangelizador Não renegava a própria fé Perante a ordem do opressor A pobreza foi à bandeira Hasteada na porteira Da bondade e do amor. Santo Antônio pelo mundo Levava a vida com alegria Mesmo na extrema pobreza Pra todo mundo ele sorria O peregrino de Deus Juntamente com os seus Foi exemplo de harmonia. Em todo treze de junho Há festança sem parar Santo Antônio é milagroso Bondoso e popular Olha todos por igual Com jeitinho natural Basta dele precisar. Existem muitas simpatias Pra quem pretende casar E Santo Antônio é certeiro Pode nele confiar Escute esta simpatia Feita dentro da bacia Pela noite de luar. 3 Quem deseja descobrir o nome da companheira Tenha na mão um facão E de forma bem ligeira Espere o 13 de junho E com o facão no punho O crave na bananeira. O líquido que escorrer Para baixo do cortado Formará a letra certa Do futuro namorado Santo Antônio é certeiro E do mundo é o primeiro O santo mais festejado. Pegue vários papeizinhos Ponha neles a escrever Os nomes dos pretendentes Que você queira viver Enrole bem enroladinho Guarde todos com carinho Que já digo o que fazer. No dia 12 de junho Na entrada da madrugada Botem eles na bacia Com bastante água filtrada Quando o dia amanhecer Corra logo para verdadeiro Sua intenção realizada. 4 o brogodó que estiver Mais aberto na bacia Nele estará revelado A pessoa que pretendia A Santo Antônio agradeça Reze o credo toda terça Até chegar o seu dia. Pegue a imagem do santo Tire o Menino Jesu Guarde o santo bem guardado De cabeça ao pé da cruz Ao surgir o namorado Tão logo estará casado Perante à Divina Luz. Caso perder um objeto Não tenha preocupação Pegue firme com o Santo Rezando a sua oração Em pouco tempo o perdido Através de seu pedido Estará na sua mão. Casal que vive brigado Santo Antônio Concilia Pegue um cravo e uma rosa Amarre os talos com alegria Fita verde é bom usar Pra receita não falhar Na hora da simpatia. 5 Pra completar a receita Dê treze nós pela fita Espere chegar o dia treze Que verás a conquista Santo Antônio é fiel Cumpridor de seu papel De quem nele acredita. Santo Antônio é português Mas parece brasileiro Por haver tanto devoto Neste país por inteiro O seu dia é festejado Com canjica e frango assado Com fogueira e fogueteiro. Santo Antônio nos livrem De todo olhar invejoso Nós sabemos que na vida Foste homem corajoso Nos proteja toda hora Mande a maldade embora De nosso lar religioso. Santo Antônio, pois bem sei Que esta vida é passageira Foi na peregrinação Quando orava a noite inteira Santo Antônio percebeu Na oração que recebeu Ter a vida verdadeira. 6 Santo Antônio é curador É festeiro e brincalhão Santo Antônio também casa Todo filho que é cristão Santo Antônio só não casa Sendo um ateu ou pagão. A quem vive aprisionado Em tentações infernais Recorrei a Santo Antônio Pra não ser tarde demais Vereis o demo fugir A felicidade surgir Em qualquer canto ou locais. Quem tem fé em Santo Antônio Recupera-se o sofrido Afugenta a dor do peito Cede o mal embravecido Abra logo seu coração Peça ao Santo intercessão Que nem tudo está perdido. Santo Antônio de Lisboa É tamanha sua bondade Que todos alcançam graças Ao pedir-lhe caridade. Santo Antônio, Ó que dor! Já não existe tanto amor Perante a humanidade. 7 Santo Antônio de Roça Grande Abençoai nossos filhos Protegei todos os jovens Colocando-os no trilho. A vida é tão passageira E a oração é a trincheira De tos os empecilhos. Santo Antônio tropejei Todo casal bem casado Não deixando o malquerer Vim causar um trapalhado A triste separação De um casal em união Causa dano aquebrantado. Treze de junho chegando Vamos todos festejar Santo Antônio nessa hora Também vai comemorar Cada qual com seu parceiro Quem não tem pede ao santeiro Que ele pode te arrumar. Santo Antônio, vou-me embora Já é hora do final Para o ano se Deus quiser Brincaremos no quintal Vou rezar a Ave-Maria Pedir paz e harmonia Depois do Pelo-Sinal. 8

terça-feira, 18 de março de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

NONÔ O REI DO CALDO DE MOCOTÓ- CORDEL

CORDEL (trecho) NONÔ – O REI DO CALDO DE MOCOTÓ Todos devem conhecer A cidade de Belô, Mães, pais, filhos e avô Aqui tem muito que fazer Folgar, rezar e beber Passear pelo metrô Ver de perto a arte decô Depois é só comer sem dó POIS NOSSO REI É O NONÔ DO CALDO DE MOCOTÓ. Falando em gastronomia De Tudo já experimentei Nos bares nunca errei Foi grande minha alegria Fazer parte da freguesia Até mesmo na do Ó Por isso não vivo só Como até fora da lei POIS NONÔ É NOSSO REI DO CALDO DE MOCOTÓ. O melhor bar da cidade Não tem hora de Fechar Basta o freguês chegar Que é só felicidade. Regressando do forró Prepare logo seu gogó Pra tão logo degustar E barato vai pagar: POIS NONÔ É NOSSO REI DO CALDO DE MOCOTÓ.

CORDEL NONÔ O REI DO CALDO DE MOCOTÓ

CORDEL (trecho) NONÔ – O REI DO CALDO DE MOCOTÓ Todos devem conhecer A cidade de Belô, Mães, pais, filhos e avô Aqui tem muito que fazer Folgar, rezar e beber Passear pelo metrô Ver de perto a arte decô Depois é só comer sem dó POIS NOSSO REI É O NONÔ DO CALDO DE MOCOTÓ. Falando em gastronomia De Tudo já experimentei Nos bares nunca errei Foi grande minha alegria Fazer parte da freguesia Até mesmo na do Ó Por isso não vivo só Como até fora da lei POIS NONÔ É NOSSO REI DO CALDO DE MOCOTÓ. O melhor bar da cidade Não tem hora de Fechar Basta o freguês chegar Que é só felicidade. Regressando do forró Prepare logo seu gogó Pra tão logo degustar E barato vai pagar: POIS NONÔ É NOSSO REI DO CALDO DE MOCOTÓ.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

cordel os gaiolas do rio são francisco

OS GAIOLAS DO RIO SÃO FRANCISCO Neste cordel eu me vejo Passeando pela história Escrevendo pouco a pouco O que trago na memória Sobre o Rio Francisco Um marco feito de glória. Antes porém é preciso Acrescentar na introdução A história do São Francisco Grande rio da Nação A importância que ele tem Em toda sua extensão. Chamado de Velho Chico Este rio feito de encanto Por cinco estados ele cruza Leva seu sagrado manto Distribuindo alimentos Em nome do mesmo Santo. Em mil e quinhentos e um Deu-se o Rio por descoberto Foi com Américo Vespúcio Um navegador esperto Pressentia que a riqueza Dele estava muito perto. 1 Já os índios da região De sabença secular De “Opara” chamavam o rio Que significava “Rio-Mar” O homem branco lá chegando Os índios profetizando: - Este rio vai-se acabar. Lindamente o São Francisco Nasce nas terras mineiras Formados de águas mansas E também de corredeiras Um rio cheio de histórias E de lendas brasileiras. Portanto o velho Chico Um rio feito de curriola Onde se come um bom pescado Ao som alegre da viola E a saudade vem surgindo Das viagens no Gaiola. O Gaiola é no Brasil Um tipo de embarcação Que navega pelo rio De uma certa região Levando gente ribeirinha Do cerrado e do sertão. Disse o velho gaioleiro Um ditado interessante: Que navegar é preciso Viver não é semelhante Um rio corre naturalmente Devagar, chega a diante. 2 A primeira embarcação Para o povo ribeirinho Apelidado de Gaiola Retribuição de carinho Batizado pelo nome: Barco SALADANHA MARINHO. Foi importante este barco Para o baiano e mineiro Com apito rouco e estridente De longe ouvia o viageiro Tinha como itinerário, Pirapora a Juazeiro. A segunda embarcação Em viagens por águas santas No leito do São Francisco Margeando belas plantas Este barco conhecido: Como o PRESIDENTE DANTAS. A lancha CEZÁRIO foi A terceira a navegar Pelas águas do Velho Chico Viajava sem parar Um gaiola pro comércio Das pessoas do lugar. SÃO PAULO o quarto vapor Teve vida temporária Era voltado para pesca E para agropecuária Sem explicação sumiu Do Porto de Januária. 3 ANTÔNIO DO NASCIMENTO Este foi o quinto vapor Pirapora a Bom Jesus Deslanchava o roncador Tinha porte mediano E um reforçado motor. O barco ALFREDO VIANA Outro de grande valor Impulsionado por hélice Nas águas era um trator Transformado em gaiola Passa a chamar SALVADOR. O mais velozes dos gaiolas De nome MATA MACHADO Também foi o mais possante Tinha o casco achatado Levava gente importante Nunca ficando encalhado. Vem o ENGENHEIRO HALFED O maior do São Francisco Era bastante imponente Andava sem correr risco Tinha até segunda classe O gaiola mais arisco. O vapor MELO VIANA De belíssimos patamares Levava grandes toneladas Para todos os lugares Teve o nome substituído Por gaiola RAUL SOARES. 4 Tinha o nome de SÃO FRANCISCO O vapor da integração Carregou gente importante Do mais alto escalão Um incêndio inesperado Casou sua destruição. É bonito ver passar Qualquer dia qualquer hora O BENJAMIM GUIMARÃES Na cidade de Pirapora No mundo não há quem tenha Um vapor movido à lenha Ao rompimento da aurora. O gaiola Benjamim É de se encantar qualquer vista Nele pode passear Do Governador ao artista Um patrimônio mundial À espera do turista. O BARÃO DE COTEGIPE O gaiola da saudade De apito melodioso Alegria da cidade Abandonado em Pirapora Sem a menor piedade. Até hoje os barranqueiros Lamentam tal descaso O barco foi abandonado Num banco de areia raso Culpa da administração Ignorância do atraso. 5 Vem o FERNANDES CUNHA Construído em Juazeiro Tinha uma máquina moderna Navegava bem ligeiro Queimado em Matias Barbosa Em território mineiro. O CORDEIRO DE MIRANDA Um barco muito imperfeito Duas vezes naufragou Por ser alto e muito estreito Muitas pessoas morreram Por causa do tal defeito. Um dos melhores vapores Foi o WENCESLAU BRAZ O gaiola dos turistas Perfeito no leva-e-traz Veio a sofrer um naufrágio Saiu fora do cartaz. O gaiola FERNÃO DIAS Na Inglaterra fabricado Nas águas do São Francisco Com cuidado foi lançado Sem justa explicação Também foi incendiado. O gaiola ANTÔNIO OLINTO Origem desconhecida Na revolução de 30 (1930) Teve a triste despedida Navegava no São Francisco Muito tira perdeu a vida. 6 O SANTA CLARA, outro gaiola Que o caboclo d’água levou Nas águas do Velho Chico Em 32 naufragou Morrendo várias pessoas Só a saudade restou. O gaiola CORONEL RAMOS Barco cheio de nove hora Era pertencente da, Viação de Pirapora E como os demais gaiolas Pro ferro velho foi embora. Agora o FRANCISCO BISPO Nome dado em homenagem Ao melhor de todo o Vale De mecânica de engrenagem Um gaiola interessante Encantador de passagem. O gaiola SERTANEJO Rebocava duas chatas O Piriquitinho Verde Era das cores da mata Pelo Rio São Francisco Viajou por poucas datas. Origem desconhecida O GOVERNADOR VALADARES Antes de ser ferro velho Naufragou em vários lugares Um gaiola misterioso Semelhante aos lupanares. 7 O gaiola AFONSO ARINOS De origem desconhecida Também sofreu naufrágio Nesta cena repetida Ferro velho o destino Mais um fora da vida. Agora o PARACATUZINHO Barco de pequeno porte Um gaiola naufragado Bem em Minas, lá no Norte Ninguém neste não morreu Caboclo d’água deu a sorte. Vem o JURACY MAGALHÃES O maior vapor da frota Só em rio cheio navegava Para não perder a rota Abandonado em Juazeiro Teve a sua vida morta. Outros gaiolas no cordel Como o COSTA PEREIRA Naufragou em Pirapora Em plena terra mineira NILTON PRADO e RODRIGO SILVA Foram da mesma maneira. Agora pra terminar COSTA E SILVA eu enumero Junto com o JUAREZ TÁVORA Gaiolas de grande esmero De soma aos desmantelos Nossa história vai a zero. 8 Fim – 19/10/2013.

cordel chica da silva

CHICA DA SILVA Venham musas do saber Dos recônditos dos Gerais Habitantes das Arcádias De brilhantes minerais Dai-me luz para escrever Estes versos cordiais. Peço às santas protetoras Dos negros da escravidão Santa Ifigênia e do Rosário Como em forma de oração Invocar Chica da Silva Na fé da religião. E quem foi Chica da Silva Senhora sem procedência A mais bela do Tijuco Ou a rainha da opulência? Assim Chica fez causar Uma reação de pungência. No Arraial de Milho Verde Chica da Silva nasceu (1731) Não era negra, e sim parda Como o sol que entardeceu Os seus traços eram finos E bonita ela cresceu. 1 Antônio de Sá, o seu pai, Colono trabalhador Maria da Costa, sua mãe, Africana Inhá de cor Chica uma mulher diferente A marca de seu valor. Francisca veio ao mundo pobre Só conseguiu a liberdade Vivendo em concubinato Com um branco da cidade Ficou rica e conquistou Lugar na sociedade. As mulheres brasileiras Naqueles anos distantes As tidas como brancas Não eram muito elegantes Restavam às negras pardas Serem mais interessantes. Então Francisca da Silva Na boca do diz-que-diz Casa com João Fernandes O mais rico do país Assim a escrava Chica Levava a vida feliz. 2 Contratador de Diamantes: João Fernandes de Oliveira Passa viver em casamento Com a Chiquinha mineira Teve este relacionamento Repercussão brasileira. Pois a Chica que era pobre Logo se vira em um mito E por muitas gerações No fala que fala foi dito E a Chica se transformou Numa boquinha de pito. Mas a Chica também foi Tida como perdulária Devoradora de homens Vida fácil necessária Bruxa anti-religiosa Infecção da malária. Aquela que já foi escrava Em épocas temerárias Passa a ser com o passar Sensível e libertária Sensualidade aflorada Com a negra milionária. 3 Pois Chica da Silva teve Um imenso tudo sem fim Teve igreja ornamentada Com santinho e querubim Teve banda da melhor Com corneta de marfim. Mas a Chica tinha um sonho Um sonho de não acabar Os Gerais ficou pequeno No torrão dela pisar Queria ver a areia branca Queria banhar no mar. O amor de João Fernandes Era tal o soar do apito No encontrar do diamante Muito intenso e bonito Para Chica, o seu amor Era eterno e infinito. Houve um tempo, um tempo negro Em que Chica a negra ativa Por voz da população Teve imagem negativa Tudo por inveja boba Por ser mulata atrativa. 4 A história revelou Que foi pura ingratidão Pois a Chica se casou Com amor no coração Com um branco milionário Realeza da paixão. E Chica, a Chica da Silva Não pisa sem ter tapete Só caminha na liteira Nunca bate com porrete Nada faz, manda fazer Não tolera cacoete. Ninguém já viu seu cabelo Tinha a cabeça rapada Perucas de todas as partes Por ela era comprada Tudo, tudo que queria Era ser mulher amada. E Sá Chica também tinha Dentro dela a maldade Um dia, um escravo humilde Ao espiar sua beldade Mandou castrar o negrinho Soltou-o nu pela cidade. 5 Todo mundo segue Chica Ex-escrava feito menina mucamas, negros, mordomos Vão saudando-a pela esquina No sobe desce ladeira Da Vila de Diamantina. E lá vai Chica da Silva Toda soberba e risonha Diamantes pelo corpo Em liteira de cegonha Ela é a Chica-que-manda No Vale Jequitinhonha. Pois um dia uma negrinha Sorriu para o Contratador Chica da Silva de ciúmes Envermelhou de rancor Mandou arrancar os dentes A negra morreu de dor. Nhá Chica gosta de cama Para dormir e para amar Quando seu amado viajando Ela não sabe levantar Manda as mucamas trazer As delícias do lugar. 6 Chica é parte do movimento Conhecido e tido e tal De Desenvolvimentismo Ufanista Nacional Uma heroína da nascente Redentora racial. Ah, Nhá Chica teve filhos Foram 14 no total Um com o primeiro homem 13 de parto normal Com João Fernandes, seu amor. O ricaço maioral. Então ela tira os seus filhos Da cor e da escravidão, Estudando em Portugal Por aquela ocasião Assim se tornaram como: Filhos de Chica com João. Havia muitas outras Chicas Ex-escravas naturalmente Casadas com homens brancos Poderosos ricamente Outras eram do comércio Trabalhando legalmente. 7 Mas só a Chica despontou Sendo a dama do momento Face do Contratador Homem de forte portento As demais ficaram então Sob o manto do esquecimento. Chica tinha privilégios Cheia de regalidades Pode frequentar igrejas Como também irmandades Foi madrinha de batismos Em muitas localidades. A Rainha de Sabá Chica, cara cor de noite Viveu em plena liberdade Enguarnecida do acoite Feminista libertária Livrou-se cedo do açoite. Nhá Chica quando morreu (1796) Mandaram tocar a banda Missa conga para os negros Despedida com quitanda, E tomou assento no Céu, A alma da CHICA-QUE-MANDA! 8